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Barragem de Mossul está à beira do colapso, um milhão de pessoas correm risco de vida

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A barragem de Mossul foi libertada do controlo do Daesh em agosto de 2014, mas poucos trabalhadores voltaram depois disso

AHMAD AL-RUBAYE/AFP/Getty Images

Aviso foi feito esta quarta-feira por engenheiros iraquianos que integraram os trabalhos de construção da barragem há 30 anos. Especialistas agora a viver na Europa dizem ainda que planos do governo iraquiano para retirada da população no caso de o desastre acontecer são “ridículos”

Os engenheiros iraquianos que participaram na construção da barragem de Mossul há 30 anos dizem que o colapso da estrutura está “iminente” e que o balanço de mortos que esse colapso provocará será bem superior ao que tem sido calculado.

De acordo com os especialistas, em entrevista ao “The Guardian”, a pressão na estrutura da barragem — partes dela já afetadas em recentes batalhas com o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) — está a aumentar rapidamente, sobretudo por causa do degelo das de inverno que se acumularam no reservatório de água, atingindo o máximo da sua capacidade. A abertura das comportas que permitiria aliviar essa pressão é, neste momento, impossível, já que as portas estão “encravadas”. Um contrato com uma empresa de construção italiana para fazer reparações urgentes na barragem continua por assinar.

De acordo com cálculos oficiais, se a barragem de Mossul colapsar cerca de 500 mil pessoas perderão a vida, mas os engenheiros responsáveis pela sua construção dizem que o balanço de mortos poderá ser bem superior e chegar a um milhão — o colapso da barragem libertaria uma onda imensa de 20 metros de altura que varreria por completo a cidade de Mossul, antes de fluir ao longo do vale do rio Tigre até às cidades de Tikrit, Samarra e Bagdade, a capital do Iraque.

Um dos engenheiros citados, Nasrat Adamo, que liderou a equipa de Mossul há 30 anos e que agora vive na Europa, diz que as políticas de emergência do governo iraquiano — que planeia evacuar as margens do rio, levando as pessoas para locais a 6 quilómetros do Tigre — são “ridículas” e servirão de pouco quando a tragédia acontecer. Para além disso, Adamo sublinha ainda que, desde os primeiros avanços do Daesh na região e especificamente ao redor de Mossul, a barragem nunca mais teve manutenção de qualidade.

“Costumávamos ter 300 pessoas a trabalhar 24 sobre 24 horas em três turnos mas muito poucos desses trabalhadores voltaram” depois da invasão do Daesh. “Neste momento haverá talvez 30 pessoas lá agora”, disse numa entrevista telefónica a partir da Suécia, onde trabalhar como consultor.