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Varoufakis vai ser conselheiro de Corbyn. “Ele é interessante”, diz o britânico

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Yanis Varoufakis é o novo conselheiro de Jeremy Corbyn, líder da oposição britânica

NEIL HALL

A oposição reage com ironia: “Isto diz tudo aquilo de que precisamos de saber sobre a estratégia económica do Labour Party: Corbyn diz que pode aprender com a experiência de Varoufakis, que é de recessão profunda, bancos forçados a fecharem durante dias e um Governo com dificuldades em pagar salários e pensões à função pública”

A posição do líder trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, quanto às medidas de austeridade impostas a alguns países europeus não é nova. Mas agora Corbyn vai mais longe e assegura que tem a seu lado um dos nomes pesos pesados na luta contra a austeridade na Europa: Yanis Varoufakis, o ex-ministro das Finanças grego que se demitiu para facilitar as negociações entre o governo de Tsipras e as instituições europeias.

Vaorufakis vai aconselhar o Partido Trabalhista "em certa medida", confirma Corbyn ao jornal local do seu bairro. Em entrevista ao "Islington Tribune", o político britânico explica o convite: "Varoufakis é interessante, porque passou por todas as negociações [com o Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI)]". "Acho que a Grécia tem sido tratada de uma forma terrível", acrescenta.

Na mesma entrevista, Corbyn afirma que o objetivo desta aliança é "desafiar a noção de que temos de cortar até nos tornarmos prósperos, quando na verdade temos de crescer até o fazermos. O nosso ênfase e trabalho é em expandir a economia".

À Reuters, fonte oficial do partido da oposição britânica explica que Varoufakis não vai ter um cargo oficial, mas "vai participar numa série de conferências e falar das suas experiências para aumentar o debate público sobre economia e política". O próprio Corbyn confirma que Varoufakis já se encontrou com o seu conselheiro John McDonnell, passando assim a fazer parte de um grupo de conselheiros externos que já contava com nomes sonantes como os do prémio Nobel da Economia John Stiglitz e do economista francês Thomas Pikketty.

"A experiência de Varoufakis é de recessão profunda"

Os conservadores já reagiram à novidade pela voz do deputado Greg Hands, que argumenta, citado pelo "The Guardian": "Isto diz tudo aquilo de que precisamos de saber sobre a estratégia económica do Labour Party: Corbyn diz que pode aprender com a experiência de Varoufakis, que é de recessão profunda, bancos forçados a fecharem durante dias e um Governo com dificuldades em pagar salários e pensões à função pública", defende.

Num artigo publicado no seu website na passada sexta-feira, Varoufakis, que fez os seus estudos superiores de Matemática e Economia das universidades inglesas de Essex e Birmingham, escrevia: "O tratamento dado à Grécia prova que a União Europeia é governada de forma autoritária, irracional e antidemocrtática", mas ainda assim "o Reino Unido devia ficar na União Europeia para confrontar as instituições por dentro do sistema".

O apoio de Varoufakis ao Labour Party deverá resumir-se às tarefas de aconselhamento económico e à presença em conferências e palestras, não estando prevista a sua presença em qualquer ação de campanha do Labour Party ou de Jeremy Corbyn.

Embora Corbyn tenha votado em 1975 pela saída do país na União Europeia, o líder trabalhista promove agora o voto a favor na permanência na EU, uma posição partilhada pela maior parte dos membros do partido (e, segundo o "The Guardian", por 63% dos votantes do partido). Pelo contrário, o Partido Conservador mostra-se muito dividido, havendo atualmente vários ministros de Cameron inclinados a fazer campanha pelo Brexit.

A preocupação com o "défice democrático europeu"

Em entrevista ao "Islington Tribune", Corbyn detalha a sua posição sobre a austeridade na Europa e o referendo que determina se o Reino Unido permanece ou não na União Europeia. "A intenção do Labour Party é tentar obter na Europa o melhor acordo para este país", defende o político britânico, expressando preocupação com "o défice democrático europeu, a estratégia do BCE e o seu poder sobre países aos quais foram impostas medidas de austeridade".

Falando sobre as conversações também com Alexis Tsipras, o primeiro-ministro grego, Corbyn explica que ambos querem "uma estratégia económica anti-austeridade" e mostram grande preocupação "com as atividades e o poder do BCE, embora o Reino Unido não esteja na zona euro e não seja provável que vá estar".