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Otegi sai da prisão “mais independentista”

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Arnaldo Otegi, de punho erguido, à saída da prisão de Logroño, norte de Espanha

© Vincent West / Reuters

Líder histórico do partido independentista basco Batasuna, Arnaldo Otegi foi libertado esta terça-feira, após cumprir seis anos e meio de prisão

Margarida Mota

Jornalista

Cerca de 200 pessoas concentraram-se, esta terça-feira, junto à entrada da prisão de Logroño, norte de Espanha, para saudar a libertação de Arnaldo Otegi, o líder histórico do Batasuna (partido independentista basco). “Todas estas câmaras [de televisão] são a prova de que há presos políticos no Estado espanhol. Não há tantas câmaras quando se trata de presos sociais”, disse Otegi.

Sob aplausos e gritos de “independência” e “presos bascos para a rua”, o ex-porta-voz do Batasuna — eleito em 2013 secretário-geral da formação política Sortu (fundada em 2011), quando já estava preso — declarou-se “mais independentista” do que antes de ser preso e condenado. “Agora temos de tirar os presos da prisão e tratar da independência”, assegurou, de punho erguido.

Preso em 2009, Otegi “passou 2331 dias na prisão por tentativa de reconstituição do Batasuna, ilegalizado [em 2003, considerado o braço político da organização terrorista basca ETA], através do projeto Bateragune, seguindo instruções da ETA”, escreve o diário “El País”. Inicialmente, Otegi foi condenado a 10 anos de prisão. Em 2012, o Supremo Tribunal reduziu a pena para seis anos e meio, considerando-o um mero “membro” e não “dirigente” da ETA.

O País Basco tem eleições regionais previstas para o final deste ano. Em liberdade, Otegi ressurge como uma das vozes mais audíveis da chamada “esquerda abertzale” — termo usado para fazer referência aos partidos ou organizações de ideologia nacionalista e independentista basca. Do ponto de vista económico e social, dizem-se socialistas.

Porém, uma possível candidatura de Otegi a lehendakari (presidente do governo regional basco) está condicionada por imperativos legais. A Audiência Nacional decretou a impossibilidade de ele ser candidato ou titular de cargos públicos até 2021, limitação que o Supremo Tribunal manteve quando reviu a pena.