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Internacional

Milhares de refugiados participam em feira de emprego em Berlim

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Carsten Koall/GETTY

Encontro desta segunda-feira à noite aconteceu após mais de mil requerentes de asilo instalados em Hamburgo terem organizado uma conferência para discutirem a sua situação nos países de acolhimento, numa altura em que soluções políticas para a crise na UE são cada vez mais uma miragem

Mais de quatro mil refugiados a viver na Alemanha participaram na noite desta segunda-feira numa feira de emprego em Berlim, onde estiveram presentes 211 potenciais empregadores de uma série de áreas, incluindo tecnologias de informação, medicina, turismo e o sector da construção civil.

O evento, que decorreu num hotel, foi um esforço dos sectores privado e público para integrar os requerentes de asilo que já chegaram à Alemanha: 480 mil pessoas pediram asilo no país durante 2015, quase o dobro do total de pedidos registados em 2014 — sendo um terço delas de nacionalidade síria. Este ano, o número de chegadas à Alemanha continua a aumentar, com mais de 52 mil pedidos registados só em janeiro.

Christian Henkes, porta-voz da Agência Federal de Emprego da Alemanha, que coorganizou o evento, revelou ao correspondente da Al-Jazeera que a participação dos refugiados superou todas as expectativas. "Existe um grande interesse por parte dos empregadores, que realmente querem dar uma hipótese a estas pessoas no país", disse. "E existe igualmente uma enorme vontade destas pessoas que vêm para a Alemanha para encontrar um emprego."

A feira de emprego desta segunda-feira aconteceu depois de, entre sexta-feira e domingo passados, um outro grupo de mais de mil requerentes de asilo na Alemanha se ter organizado, sem apoios, para levar a cabo uma conferência de refugiados em Hamburgo — a primeira desta natureza na Europa, onde debateram a sua situação no país e o futuro que os espera e aos seus conterrâneos, perante as mais recentes decisões de Estados-membros da União Europeia, contrárias aos valores de integração que estiveram na base da fundação do bloco.

Há alguns dias, a Áustria e quatro nações dos Balcãs decidiram seguir o exemplo da Macedónia, que não integra a UE nem o Espaço Schengen, e limitar as passagens diárias de refugiados pelas suas fronteiras. As decisões, bem como a falta de soluções políticas nas sucessivas cimeiras dos 28 parceiros europeus, está a deixar a Grécia isolada, à medida que dezenas de milhares de pessoas desesperadas continuam a desembarcar nas suas costas fugidas de guerras e da fome no Médio Oriente e África.