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Migrantes na “selva” de Calais atacam camiões e polícia durante a noite

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PHILIPPE HUGUEN/GETTY

As tensões no campo de Calais acentuam-se após cerca de 150 ocupantes terem provocado um ataque no local, em protesto contra o fim do acampamento ordenado pelo governo francês e a destruição das barracas levantadas fora da “selva”

Migrantes do campo de Calais – conhecido como a “selva” e local onde os políticos franceses se recusam a entrar – protagonizaram vários acidentes durante a noite desta segunda-feira, atacando camiões e polícia após as forças de segurança terem iniciado, durante o dia, o desmantelamento parcial do acampamento.

O canal de televisão France 2 indica que quatro pessoas foram detidas depois da meia-noite, após altercações entre migrantes e polícia nas ruas próximas do espaço. Vários polícias ficaram ligeiramente feridos. Segundo a mesma fonte, os ataques foram causados por cerca de 150 ocupantes, em protesto contra o desmantelamento do campo e contra a destruição das suas “barracas” fora do acampamento.

Este desmantelamento, realizado na parte sul da “selva”. foi decretado pelo governo francês e teve início, em grande escala, ao final da manhã desta segunda-feira, com a chegada ao local de escavadoras e de dezenas de agentes antidistúrbios para proteger o trabalho de limpeza.

As autoridades locais prometeram que ninguém seria retirado à força daquele campo, onde moram 3700 pessoas, das quais entre 800 e 1000 vão ser afetadas pela evacuação.

Nas imagens televisivas, podem ver-se vários homens a lançar diferentes tipos de projéteis contra os camiões, que posteriormente também foram atacados com barras de ferro. É também visível o uso de mangueiras e gás lacrimógenio por parte das autoridades, de forma a expulsar todos os migrantes – e não só os protestantes – do bairro em vias de demolição.

Segundo algumas instituições de caridade, viviam na parte demolida mais de três mil pessoas, incluindo 300 crianças não acompanhadas. Os migrantes retirados foram aconselhados a instalar-se em contentores climatizados na parte norte do campo ou num dos 100 centros de acolhimentos em toda a França.

A evacuação da parte sul da “selva” de Calais foi contestada em tribunal por um grupo de migrantes e organizações, mas a justiça decidiu na passada quinta-feira a favor do Estado.

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