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Mais um jornalista agredido em comício de Donald Trump

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Um fotógrafo da revista “Time” tentava fotografar um protesto num comício anti-Trump quando um agente dos serviços secretos o agarrou pelo pescoço e atirou ao chão. As imagens são assustadoras

A corrida para a nomeação republicana à presidência dos EUA tem vindo a provar três coisas: há muitos candidatos para um só poleiro, as nomeações não são assim tão garantidas – paz à memória política de Jeb Bush – e há sempre alguma coisa a acontecer num comício de Donald Trump. O mais recente episódio aconteceu na faculdade de Radford, no estado da Virginia, em vésperas desta Superterça-feira, a maratona de votações onde Trump deverá ser confirmado como o favorito à nomeação republicana.

Um fotógrafo da revista americana “Time” foi violentamente detido por um agente dos serviços secretos americanos, após tentar sair da zona destinada à imprensa. Chris Morris, o fotógrafo, queria fotografar de mais perto um protesto anti-Trump, tendo sido prontamente detido pelo agente que guardava o local. Após uma troca de insultos, o agente agarrou o repórter pelo pescoço, como mostram as imagens, e atirou-o ao chão de forma violenta.

O fotógrafo foi detido pelas autoridades e escoltado para fora do edifício, sem que na altura fossem apuradas responsabilidades à conduta do agente. No entanto, vários jornalistas captaram as imagens do incidente em vídeo, o que relançou a discussão sobre a relação de Trump cpm os media.

O fotógrafo, em declarações à revista “Time”, já expressou lamentos pela forma como falou com o segurança. “Trabalhei nove anos na Casa Branca e nunca tive um conflito com os serviços secretos”, garante Morris, em comunicado. “Lamento o meu papel nos confrontos, mas a reação do agente foi desproporcionada e desnecesariamente violenta. Espero que este incidente chame a atenção para os desafios do acesso à imprensa”.

Os serviços secretos dizem estar ao corrente da situação e asseguram estar a colaborar na investigação ao incidente. A própria revista já revelou que Morris se encontra bem e pronto a voltar ao trabalho.

Os comícios do multimilionário e candidato à Casa Branca são conhecidos pela sua agressividade nas palavras e nas ações. Este episódio não é isolado, com vários casos de protestos pacíficos a serem terminados de forma violenta (e por vezes racista) pelos próprios apoiantes de Trump. Desta vez, o caso foi protagonizado (pelos piores motivos) pelas forças policiais.

Na mais óbvia das ironias, Trump acusa a imprensa de o censurar, apenas para ele próprio censurar a imprensa nos seus eventos. Em dezembro do ano passado, o candidato ofereceu algum “conforto” aos jornalistas americanos ao dizer que, ao contrário de Putin, nunca os mataria. “Eu detesto algumas destas pessoas, detesto-as. Alguns são tão mentirosos e nojentos, mas nunca os mataria”, assegura.