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Internacional

ACNUR alerta para risco de crise humanitária “autoinduzida” na Europa

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ALEXANDROS AVRAMIDIS/REUTERS

Na Grécia, diz o porta-voz da organização das Nações Unidas, a situação de migrantes e refugiados é dramática, em especial em Idomeni, junto à fronteira com a Macedónia. 8500 dormem ao relento há várias noites

A situação é particularmente preocupante na Grécia, a prova mais visível de que “a Europa está à beira de uma crise humanitária em grande parte autoinfligida”, alertou o porta-voz da agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR), esta terça-feira, em Genebra.

De acordo com os dados mais recentes, disse ainda Adrian Edwards, são já 24.000 refugiados e migrantes a necessitar de acomodação, 8500 dos quais em Idomeni, junto à fronteira com a Macedónia, onde pelo menos 1500 dormem ao relento há várias noites. Há falta de abrigos, comida, água e condições sanitárias, dificuldades que fazem aumentar o clima de tensão. Na segunda-feira, registaram-se mesmo confrontos com as autoridades.

Para Adrian Edwards, apesar do esforço das autoridades gregas para encontrar uma resposta, nomeadamente com a construção já em curso de um terceiro campo perto de Idomeni, e do apoio continuado da ACNUR, é imperativo ajudar a Grécia, uma vez que o país “não consegue gerir esta situação sozinho”.

O porta-voz da ACNUR considera “absolutamente vital” que a Europa concretize as medidas assumidas em 2015, sendo uma delas o compromisso de recolocar 66.400 dos refugiados atualmente na Grécia.

Apesar do inverno ter contribuído para o abrandamento do número de travessias, o Mediterrâneo continua a ser cenário de desespero. Quase 132 mil pessoas arriscaram fugir durante janeiro e fevereiro (122.637 delas fixando-se na Grécia). O número não está longe do total registado no primeiro semestre de 2015: qualquer coisa como 147.209 pessoas. Em 2016, até agora, 410 migrantes morreram.

Segundo o porta-voz da organização, a ACNUR continua em força no terreno, com um conjunto de escritórios, pessoal adicional, incluindo equipas de emergência móveis que rapidamente se movem para onde a situação exige mudança. No entanto, frisou Adrian Edwards “com o aumento restrições na fronteira em toda a região dos Balcãs, estamos preocupados com a situação, temendo que se possa transformar numa crise humanitária semelhante à das ilhas gregas no outono passado”.