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Terramotos políticos a favor de Trump e Sanders agitam EUA na véspera da Superterça-feira

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Tulsi Gabbard Gabbard foi a primeira hindu e a primeira cidadã natural da Samoa Americana a ser eleita para o Congresso norte-americano

Slaven Vlasic / Getty Images

Governador de New Jersey dá apoio formal ao pré-candidato republicano e vice-presidente do Comité Nacional Democrata abandona o cargo para apoiar o rival de Hillary Clinton na corrida demorata. Sondagens preveem vitória da ex-secretária de Estado e do magnata de Nova Iorque nas votações desta terça-feira em 12 estados norte-americanos

A congressista Tulsi Gabbard, que até este domingo era vice-presidente do Comité Nacional Democrata (CND), resignou ao cargo para poder dar o seu apoio formal ao senador pelo Vermont Bernie Sanders, o único que está a disputar a nomeação do partido com Hillary Clinton.

Gabbard, que foi a primeira hindu e a primeira cidadã natural da Samoa Americana a ser eleita para o Congresso norte-americano, usou o seu email de resignação para criticar a ex-secretária de Estado que continua a liderar a corrida democrata.

"Depois de muita consideração, decidi que não posso permanecer neutra e ficar sentada no banco", diz no email que enviou aos colegas do CND e a que o "Politico" teve acesso. "Existe um claro contraste entre os nossos dois candidatos no que diz respeito à minha forte convicção de que devemos acabar com as políticas intervencionistas de alteração de regimes [noutros países] que já nos custou tanto", escreveu Gabbard.

"Isto não é apenas 'mais um assunto'. Isto é 'o' assunto, que é profundamente pessoal para mim. É por isto que decidi demitir-me do cargo de vice-presidente do CND, para poder apoiar Bernie Sanders nos seus esforços para garantir a nomeação democrata na corrida presidencial de 2016", defendeu.

Tom Pennington

Christie recusa críticas de "oportunismo"

Da mesma forma que Gabbard surpreendeu os seus colegas democratas com a decisão de apoiar o autoproclamado socialista, também o governador republicano de New Jersey espalhou brasas na corrida republicana em vésperas da importante Superterça-feira que se avizinha.

Na sexta-feira à noite, madrugada de sábado em Portugal, o homem que até há bem pouco tempo era rival de Trump na corrida à nomeação republicana anunciou que apoia o magnata. Os media depressa se desdobraram em análises ao anúncio surpresa, listando o que cada um tem a ganhar com esta aliança: Christie garante vingança e ganha relevância e possibilidades de um futuro político; Trump sai validado, atrai mais eleitores e aumenta as probabilidades de tirar Marco Rubio do seu caminho.

De nada valem as acusações de "oportunismo" tecidas por inúmeros membros do Partido Republicano a Christie, incluindo Meg Whitman, que integrou a direção financeira da campanha do agora ex-candidato republicano às primárias. De tão pouco valem as notícias de que Trump não gostou que Christie lhe estivesse a roubar protagonismo num evento de campanha este sábado, com os microfones a captarem o magnata a dizer ao novo apoiante "Vai para casa".

Neste momento, e de acordo com as mais recentes sondagens de intenções de voto nos 12 estados a irem a votos esta terça-feira, Trump continua a liderar a corrida republicana e Clinton a democrata. Amanhã é dia de Superterça-feira, um dos mais importantes momentos de qualquer ano de presidenciais nos EUA. Vão a votos os estados do Alabama, Arkansas, Colorado (*), Georgia, Massachusetts, Minnesota, Oklahoma, Tennessee, Texas, Vermont e Virginia, em modelo de primárias para ambos os partidos — para além do caucus republicano no Alaska e do caucus democrata na Samoa Americana.

Em jogo estão 595 delegados eleitorais republicanos, cerca de 25% do total de delegados disponíveis. Para garantir a nomeação do partido conservador na Convenção Nacional marcada para julho, um candidato precisa de um mínimo de 1237 delegados. Do lado democrata, o candidato com mais votos nas primárias tem de assegurar pelo menos 2383 delegados — 1004 deles em disputa amanhã.

(*) Este ano, os republicanos do Colorado ditaram que serão os delegados nomeados e não os eleitores a escolher o candidato que o estado apoia. Por esse motivo, apenas os democratas terão primárias no Colorado