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70 mil refugiados vão estar presos na Grécia até final de março

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ARIS MESSINIS/Getty Images

Com as decisões deste fim de semana, em que quatro nações dos Balcãs e a Áustria encerraram as suas fronteiras, o Estado-membro da União Europeia mais atingido pela crise e consequente austeridade está sozinho a lidar com as milhares de chegadas diárias de requerentes de asilo e migrantes

"Estamos a prever que o número de pessoas presas no nosso país vá ser de entre 50 mil e 70 mil até ao próximo mês", declarou este domingo à Mega TV o ministro grego da Imigração, Yannis Mouzalas, um dia depois de quatro nações dos Balcãs terem anunciado limites às entradas diárias de requerentes de asilo e migrantes no seu território, após a Áustria ter decidido reintroduzir controlos nas fronteiras.

Este é o efeito direto e imediato previsto das decisões do grupo de países daquela região, que na semana passada levaram a cabo uma reunião para a qual a Grécia não foi convidada, gerando um episódio de tensão diplomática em que Atenas convocou o seu embaixador em Viena para exigir explicações para o sucedido.

De acordo com Mouzalas, cerca de 22 mil pessoas já estão neste momento na Grécia. E ao ritmo a que mais refugiados e migrantes continuam a desembarcar nas ilhas gregas a situação só tenderá a piorar. Este domingo, a chanceler alemã Angela Merkel alertou para os riscos de deixar a Grécia isolada e a lidar sozinha com a pior crise de refugiados a atingir a Europa desde a II Guerra Mundial.

A ONU também já alertou para os desafios humanitários crescentes na fronteira da Grécia com a Macedónia, onde milhares de pessoas que fogem de guerras e da fome no Médio Oriente e África continuam a amontoar-se, enchendo pequenas aldeias da fronteira como Idomeni sem poderem seguir caminho para norte — após a Macedónia, que não integra a UE nem o espaço Schengen, ter começado a barrar caminho a cidadãos afegãos e de outras nacionalidades que não sírias.

O bloco europeu está cada vez mais dividido entre o crescente número de países que se recusa a partilhar esforços de acolhimento de refugiados e a Grécia e a Itália, as principais portas de entrada na União Europeia para estas pessoas, que a Alemanha apoia. Os líderes europeus estão a contar que a recente missão antitraficantes lançada pela NATO no mar Egeu, que os refugiados atravessam em pequenos botes arriscando a vida para chegar à Europa, vá reduzir o número de pessoas que chegam ao território.