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David Cameron: “A única certeza da saída é a incerteza”

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Alex B. Huckle/WPA Pool/Getty Images

O primeiro-ministro britânico acusa os defensores do Brexit de serem “extremamente vagos” quando se trata de definir cenários concretos para uma eventual saída do Reino Unido da UE no referendo de 23 de junho. “Não é suficiente assegurar que tudo ficará bem quando empregos e o futuro do nosso país estão em causa”

O primeiro-ministro britânico desafiou os defensores do Brexit a serem mais específicos e traçarem cenários concretos para uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia (UE), que vai a votos no dia 23 de junho.

“Se votares pela permanência na Europa, eu posso descrever claramente aquilo em que estás a votar. (…) Em vez disso, quando se pede àqueles que fazem campanha pela 'saída' que definam um cenário for a da União Europeia, tornam-se extremamente vagos”, escreveu num artigo publicado no “Sunday Telegraph”.

David Cameron questiona a ideia de que o Reino Unido continuará a ter acesso ao mercado único europeu, bem como a relevância internacional do país fora da EU. E desafia os defensores do Brexit a especificarem quatro questões: que tipo de relação comercial a Inglaterra terá com a Europa depois da saída; durante quanto tempo a economia enfrentará incerteza (e quão grande esta será para as famílias e negócios); como serão os acordos de segurança com os países vizinhos; e como será mantido o papel e influência do país no mundo. “Precisamos de ter a certeza absoluta, se queremos pôr tudo em risco, se o futuro será melhor para o nosso país fora da UE.”

Para o chefe do Governo britânico, “não é suficiente assegurar que tudo ficará bem quando empregos e o futuro do nosso país estão em causa.” E sublinha que, com tantos gaps em relação a uma eventual saída, “a decisão é claramente entre um grande desconhecido e uma Grã-Bretanha maior. Um voto pela saída é o risco do século”: risco para economia, cooperação no crime e segurança e reputação do Reino Unido. “A única certeza da saída é a incerteza.”

O primeiro-ministro marcou um referendo sobre a permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia para dia 23 de junho, depois de ter alcançado um acordo com Bruxelas este mês. Neste acordo, o Reino Unido garantiu um estatuto especial na EU e a realização de reformas nas áreas da competitividade, governação na zona euro, soberania nacional e benefícios sociais.