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“Não há vitórias morais”, diz o advogado que bem podia representar Walter White

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D.R.

Quando Breaking Bad acabou, o divertido e excêntrico Saul Goodman deixou tantas saudades que rapidamente surgiu Better Call Saul, uma prequela centrada na sua história. As duas séries não são baseadas em casos reais, mas se fossem este seria o verdadeiro Saul

O que é que passa pela cabeça de um advogado quando enfrenta o júri que vai decidir se o seu cliente é inocente ou culpado? Para Howard Greenburg, a resposta é simples: "Estão aqui para passar pela minha lavagem cerebral". Com um aspecto semelhante ao do típico cientista maluco - cabelo apontado a todas as direções, camisas largas e coloridas e um olhar meio alucinado -, este advogado de Brooklyn descreve com facilidade o estilo de advocacia que exerce: "A advocacia é bruxaria, alquimia. Não há vitórias morais neste ramo. Temos de ganhar".

Os seus clientes - acusados por um pouco de tudo, de homicídios a tráfico sexual - confirmam: se tiver um problema, é melhor chamar Greenburg. E, para os fãs de "Breaking Bad" e da prequela "Better Call Saul", isto deve trazer boas recordações do advogado com os métodos mais duvidosos da televisão norte-americana, Saul Goodman.

Lembra-se da forma como Goodman convenceu o temível Walter White e o seu fiel escudeiro Jessie Pinkman a contratá-lo, quando se preparavam para o matar? E quando Goodman abriu a gaveta da sua secretária, revelando o esconderijo para uns dez telemóveis diferentes destinados a salvar os seus clientes de possíveis escutas ( e entregando a Pinkman um modelo da Hello Kitty)? A "Vice" também é fã da personagem que protagoniza a prequela de "Breaking Bad" e foi à procura de um Saul Goodman da vida real. A resposta do mundo da advocacia nova-iorquino foi unânime: quem quiser um advogado "irreverente, ousado e eficiente" deve procurar Greenburg.

Greenburg está atualmente a trabalhar num caso de tráfico sexual, mas durante os seus 25 anos de carrreira já representou todo o tipo de clientes. E não quer saber se são culpados ou não: "Prefiro que mo digam, mas é irrelevante. Tenho mais medo do Governo do que de um sacana qualquer que represente".

O assassino de vampiros

O homem que se apresenta ao telefone como "o assassino de vampiros" nunca tem falta de clientes, mas se alguém o quiser substituir, facilmente vai ser demovido por Greenburg. Na reportagem da "Vice", vemos um Greenburg enfurecido ao telefone com um cliente que não aparece. O advogado argumenta: "Qualquer preço que outro te cobre, eu faço melhor. Olha para o meu histórico de vitórias e se o dele for maior, contrata-o. Mas é impossível, eu sei que é impossível".

No escritório, uma folha de papel anuncia que passando a porta nos encontramos numa "zona de guerra" (afinal, só mesmo Saul é que leva a profissão ao extremo de trabalhar nas traseiras de um salão de estética). Lá dentro, Greenburg pensa em todas as estratégias possíveis para salvar os clientes da condenação: "Se eu passar a um júri a impressão de que se eles estivessem no banco dos réus iriam querer-me ao seu lado, posso fazer o que eu quiser. Neste ramo, trabalhar duro compensa muitos pecados".