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Turquia. Foram libertados os jornalistas que revelaram entrega de armas do governo a jihadistas

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De acordo com a CNN, há pelo menos outros 13 jornalistas presos na Turquia

OZAN KOSE

O diretor do jornal "Cumhuriyet", Can Dundar, e o chefe da delegação de Ancara dessa publicação, Erdem Gul, estavam detidos há 92 dias sob acusações de planearem golpe "violento" contra o governo, ajudarem uma "organização terrorista armada" e revelarem segredos de Estado com "objetivos de espionagem". Tribunal Constitucional ditou que os seus direitos foram violados

Dois jornalistas turcos detidos há três meses por alegadamente revelarem segredos de Estado foram libertados na madrugada desta sexta-feira, depois de o Tribunal Constitucional da Turquia ter declarado que os seus direitos foram violados.

O diretor do jornal "Cumhuriyet", Can Dundar, e o chefe da delegação de Ancara da mesma publicação, Erdem Gul, saíram da prisão de Silivri, nos arredores de Istambul, depois de 92 detidos. A BBC diz que foram recebidos no exterior por uma "enorme multidão" de apoiantes e pelos seus familiares.

Os dois jornalistas, detidos por terem noticiado entregas de armas de Ancara a jihadistas na Síria, iam ser presentes a tribunal pela primeira vez no âmbito deste caso a 25 de março.

"Este é um julgamento da liberdade de expressão", declarou Dundar aos presentes. "Nós dois conseguimos sair mas mais de 30 colegas nossos ainda estão na prisão. Espero que esta decisão abra caminho também à sua liberdade."

Apontando para a prisão nas suas costas, Dundar acrescentou que vai continuar a lutar pela liberdade de livre pensamento e expressão "para que este campo de concentração que vêem atrás de mim se transforme num museu".

A reportagem que os colocou na prisão incluiu a publicação de imagens datadas de janeiro de 2014 que mostravam carregamentos de armas na fronteira sírio-turca e que, segundo o jornal, iam ser enviadas pelas autoridades turcas para islamitas no país vizinho, que está em guerra civil desde 2011.

Ambos foram formalmente acusados de obterem e revelarem segredos do Estado "com objetivos de espionagem", de planearem um "violento" golpe contra o governo turco e de ajudarem "uma organização terrorista armada".

A Turquia, que já chegou a ser o país com mais jornalistas detidos, continua a integrar a lista sobre Liberdade de Expressão Global compilada anualmente pelos Repórteres Sem Fronteiras — surgindo, em 2015, no lugar 149 entre os 180 países que a compõem.

De acordo com organizações de media, existem neste momento mais de 30 jornalistas presos por fazerem o seu trabalho, na sua maioria curdos. O governo de Recep Tayyip Erdogan diz que o jornalismo na Turquia é dos mais livres do mundo.