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Internacional

Primeiras eleições desde histórico acordo nuclear "para abrir o Irão ao mundo"

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REUTERS/Raheb Homavandi

Cerca de 55 milhões de iranianos são esta sexta-feira chamados a eleger a composição do próximo parlamento e da Assembleia de Especialistas, o organismo de clérigos responsável por nomear o Supremo Líder (aiatola). Muitos esperam que as eleições reduzam o número de conservadores no poder

Quase 55 milhões de eleitores iranianos são chamados esta sexta-feira às urnas para elegerem os próximos 290 deputados do parlamento, que cumprirão mandatos de quatro anos, e os 88 clérigos que, nos próximos oito anos, irão compor a chamada Assembleia de Especialistas, responsável por nomear ou depôr o Líder Supremo (aiatola). São as primeiras eleições no país desde que a presidência reformista de Hassan Rouhani alcançou um histórico acordo com a comunidade internacional sobre o programa nuclear do Irão.

Ambas as câmaras estão dominadas pelos conservadores, razão pela qual os reformistas e moderados que apoiam Rouhani criaram a Lista da Esperança, pedindo à população que vote em massa para reduzir o conservadorismo que domina a política.

A economia foi um tema central na campanha para estas eleições. Com o fim das sanções internacionais ao regime, fruto do acordo nuclear, estão a começar a chegar ao Irão vários investidores estrangeiros ocidentais, o que alimaneta a esperança entre muitos de que haja melhorias nas condições de vida e no dia-a-dia da população.

O desejo torna-se ainda mais ferveroso considerando que mais de metade da população iraniana tem menos de 35 anos e que o desemprego jovem ronda os 25%, quase trêz vezes mais que a média nacional.

Há a esperança de que sejam os jovens a dar a vitória hoje aos reformistas e moderados que querem "abrir o Irão ao mundo" para atrair mais investimento direto estrangeiro no país e criar assim empregos para os mais novos. Os conservadores, pelo contrário, dizem que o crescimento económico forte virá da produção doméstica, algo que classificam, sob os ideais da Revolução Islâmica de 1979, de "economia de resistência".

A votação começou pelas 8h da manhã locais (4h30 da manhã em Lisboa). Prevê-se que as urnas encerrem às 18h locais, mas as autoridades já declararam que as estações de voto podem ficar abertas para lá dessa hora se houver filas.