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Impacto da austeridade pode retirar maioria à coligação governamental na Irlanda

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CLODAGH KILCOYNE/REUTERS

Apesar de após a saída do programa de resgate económico ter-se tornado no país com maior taxa de crescimento económico na União Europeia, o impacto das medidas de austeridade podem, nas eleições desta sexta-feira, retirar a maioria que permita à coligação liderada pelos conservadores do Fine Gael voltar a formar Governo

Os eleitores da Irlanda estão esta sexta-feira a votar para as legislativas, as primeiras eleições gerais depois do fim do programa de resgate económico em 2013. As previsões apontam para a vitória do Fine Gael, mas a coligação liderada pelo partido democrata cristão deverá contudo perder a maioria para voltar a formar Governo, devido ao esperado colapso dos seus parceiros do Partido Trabalhista.

Após a fim do resgate, a Irlanda tornou-se no campeão europeu de crescimento económico. Nos primeiros nove meses do ano passado, registou uma taxa de 7%, a mais alta da União Europeia.

Mas agastados pelo aumento dos impostos e deterioração do Estado Social, muitos irlandeses questionam: “Que recuperação?”.

“Da última vez, eu votei neles, mas nunca o voltarei a fazer”, afirmou Silvia Doran, de 72 anos, uma anterior apoiante da coligação, citada pela agência France Presse.

“Eles retiraram dinheiro das nossas pensões três vezes, depois eles deram-nos um imposto sobre a habitação e depois um imposto sobre a água, como podemos nós pagar isso com a pensão?”, questionou.

As sondagens dão uma vitória ao Fine Gael, com 30%, seguido do Fianna Fail (20%) e do Sinn Féin (15%). A grande quebra deverá registar-se entre os Trabalhistas, que penalisados pelo seu eleitorado de centro-esquerda por terem integrado o Governo, devem descer para 7% (nas anteriores eleições tiveram 19,4%).

A solução pós-eleitoral poderá passar por o primeiro-ministro Enda Kenny fazer uma nova coligação, que lhe assegure um segundo mandato, agora integrando pequenos partidos e independentes. Ou então tentar uma coligação com o Fianna Fail.

Paul Murphy, socialista candidato da Aliança Anti-Austeridade, considera que a atual situação da Irlanda surge num contexto de austeridade europeia, comparando a situação do seu país com a de outros países intervencionados: “Isto é parte da mesma luta que as pessoas estão a lutar em Portugal, na Grécia... ao longo da Europa”.