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Internacional

Grécia suspende travessias de ferries para reduzir entradas de refugiados

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ARIS MESSINIS/Getty Images

"Suspensão temporária" das travessias de barcos das ilhas para o continente já está em vigor, numa tentativa do governo de desacelerar a entrada de requerentes de asilo e migrantes vindos da Turquia, após a Macedónia ter encerrado a sua fronteira com a Grécia

O ministro grego da Marinha Mercante, Theodoros Dritsas, anunciou esta sexta-feira em entrevista à Mega TV que as travessias de ferries das ilhas para o continente foram "temporariamente suspensas" como parte de um plano de emergência do governo de Alexis Tsipras para alcançar uma "desaceleração controlada do movimento de refugiados e fluxo de imigrantes das ilhas para o porto de Pireus".

O objetivo, referiu, é criar "novas áreas de residência temporária em Attica e noutras partes do país para responder às consequências do encerramento da fronteira" com a Macedónia, que no início desta semana deixou dezenas de milhares de pessoas presas em terra de ninguém, na pequena aldeia grega de Idomeni e arredores.

Na quinta-feira, de acordo com vários correspondentes no local, apenas 100 das 2800 pessoas concentradas naquela fronteira foram autorizadas a entrar na Macedónia, estado não-membro da UE nem do Espaço Schengen. Só ontem cerca de dois mil refugiados desembarcaram na capital grega.

O governo grego já pediu que três navios sirvam de "hóteis temporários" para os refugiados e migrantes durante dois ou três dias antes de serem levados para Pireus, o porto de Atenas.

Quinta-feira, a Grécia convocou o seu embaixador na Áustria a prestar declarações em Atenas sobre a estratégia que o parceiro europeu está a levar a cabo para controlar o fluxo de refugiados e migrantes, após representantes do governo de Viena terem mantido uma reunião com vários países dos Balcãs sem convidarem a Grécia.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, já ameaçou bloquear todas as decisões sobre migração na UE nas cimeiras do próximo mês se os estados-membros não aceitaram o sistema de quotas de acolhimento proposto pela Comissão Europeia de Jean-Claude Juncker. São cada vez mais os países entre os 28 que compõem o bloco europeu a recusar partilhar os esforços de integração dos que fogem de guerras no Médio Oriente. Seis deles, incluindo a Áustria e a Hungria, já reintroduziram controlos nas suas fronteiras para impedirem a entrada destas pessoas.