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Exército queniano não confirma nem comenta a morte de 200 soldados pelo Al-Shabaab

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O ativista queniano Boniface Mwangi acende uma vela perto de capacetes que simbolizam os soldados quenianos da AMISOM mortos em serviço na Somália

THOMAS MUKOYA / REUTERS

O Presidente da Somália lamentou a morte de 200 soldados quenianos numa ataque a uma base militar somali perto da fronteira com o Quénia. Os militares estavam integrados na AMISOM, a força da ONU que combate os radicias islamitas naquele país e Nairobi escondeu a ocorrência

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

As autoridades militares quenianas negaram esta sexta-feira as declarações atribuídas na quarta-feira ao Presidente da Somália referentes a 180 militares quenianos que teriam sido mortos na Somália pelas milícias Al-Shabaab em 15 de janeiro, numa base militar da região fronteiriça de Gedo.

"É difícil quando 180 ou perto de 200 soldados enviados até nós são mortos num dia", disse o chefe de Estado somali numa entrevista a um canal cabo de televisão somali.

"Quero negar a informação dada pelo Presidente Hassan Sheikh Mohamoud da Somália segundo a qual entre 180 e 200 dos nossos soldados foram mortos durante o ataque", disse o porta-voz das Forças de Defesa quenianas citado pela delegação de Nairobi da agência chinesa Xinhua. O coronel David Obonyo disse que não comentaria a notícia por "desconhecer a sua origem".

Além disso, acrescentou, "devemos parar de trivializar a morte. Não se trata de meras estatísticas. Têm de ser tratados com honra e respeito", disse o coronel, citado pela BBC.

O Quénia não revelou oficialmente quaisquer detalhes sobre o ataque, mas as milícias Al-Shabaab reivindicaram a responsabilidade da morte de 100 soldados e a captura de 12 durante o assalto a Gedo, reporta a Xinhua. A versão do exército queniano, segundo Obonyo, será conhecida "quando a equipa que está a proceder ao inquérito apresentar as suas conclusões".

Evitar o pânico

A delegação de Mogadíscio da agência Associated Press (AP) citava na quinta-feira um editor que, sob anonimato, confirmava que o Governo do Quénia conseguiu esconder o número de mortos que resultou do ataque dos islamitas somalis porque pediu aos editores dos principais meios de comunicação quenianos para que não o revelassem. A razão invocada foi o medo que a informação causaria.

O ataque de 15 de janeiro aconteceu na cidade de El-Ade, na região do sudoeste da Somália de Gedo, perto da fronteira com o Quénia. Este país forneceu um contingente militar à força da União Africana que combate o Al-Shabaab em território somali. A confirmar-se aquele número de baixas militares, este terá sido o maior golpe nas forças militares quenianas no terreno e talvez o ataque mais sangrento daquelas milícias até à data.

O Al-Shabaab já atacou três dos cinco países que contribuem com tropas para a força de manutenção de paz das Nações Unidas na Somália, a AMISOM. Antes, os radicais islamitas já tinham feito muitos ataques mortais no Quénia, incluindo um de grande escala ao centro comercial Westgate, em Nairobi, em setembro de 2013 no qual morreram 67 pessoas. Em 2 de abril de 2015, estas milícias alinhadas com a Al-Qaeda mataram 148 pessoas na Universidade de Garissa, Quénia, na sua maioria estudantes.