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Debate republicano. Cruz e Rubio unem-se contra Donald Trump

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Marco Rubio (esq.) e Ted Cruz (dta.) atacaram à vez Donald Trump em Houston, no Texas

Getty Images

Imigração e o muro na fronteira com o México dominaram o último debate entre os candidatos à nomeação republicana antes da importante Super Terça-feira e depois de Trump ter garantido mais uma vitória nas primárias do partido

Marco Rubio "redimiu-se" do fraco desempenho que tem prestado ao longo da corrida à nomeação republicana e leva para casa o prémio de melhor intervenção no debate televisivo entre os rivais republicanos que disputam a nomeação do partido para as presidenciais de novembro — o último antes da Super Terça-feira, já a 1 de março, uma das mais importantes datas em ano de eleições presidenciais por concentrar votações simultâneas em 12 estados norte-americanos.

Quase sem conseguir conter as gargalhadas, o senador pela Florida — que ainda não conseguiu passar do terceiro lugar nas quatro votações em primárias e caucus republicanos que já decorreram — acusou Donald Trump de ter um discurso limitado e de não ir para além dele.

Tudo começou com ataques à falta de planos concretos de Trump para combater a imigração. "Qual é o seu plano? Qual é o seu plano?", inquiriu Rubio, criticando o seu discurso "robótico" e pouco original e acusando-o de empregar centenas de estrangeiros em vez de cidadãos norte-americanos num dos seus resorts na Florida.

"O grande problema dele [Rubio] é que não percebe nada de nada!", respondeu o magnata de Nova Iorque, a grande pedra no sapato do partido republicano este ano, que já nos acostumou a ataques indiscriminados a rivais e insultos generalizados para ficar por cima. "Vi-o repetir-se cinco vezes há quatro semanas", acrescentou o incendiário pré-candidato.

Rubio voltou à carga, exigindo que Trump apresentasse os seus planos para a imigração. Trump, visivelmente irritado, garantiu que tem planos mas não especificou. Ao que Rubio respondeu, quase sem conseguir conter as gargalhadas: "Ele só está a repetir-se! Vi-o repetir-se cinco vezes há cinco segundos. Ele só diz cinco coisas — "Vou construir um muro", "Temos de nos ver livres das linhas"..." Os espectadores ficaram sem saber quais eram as outras três coisas repetidas, quando Trump abafou Rubio com berros.

Durantes mais de duas horas, Rubio e o senador Ted Cruz, o grande rival de Trump nesta corrida até à data, atacaram à vez o magnata, abordando tudo, desde o seu currículo empresarial duvidoso, à sua "hipocrisia", falta de credenciais conservadoras e ausência de reais propostas políticas para liderar o país. Foram, contudo, a imigração e os planos vagos de Trump para a combater que dominaram o debate de quinta-feira à noite em Houston, no Texas (madrugada desta sexta em Portugal).

Horas antes, um antigo Presidente do México pareceu dar o mote a essa discussão entre os republicanos norte-americanos. Em entrevista ao "Fusion", Vicente Fox, que liderou o país vizinho dos EUA entre 2000 e 2006 irritou-se quando foi questionado sobre Donald Trump e os seus planos de construir um muro ao longo dos mais de três mil quilómetros de fronteira partilhada entre os dois países. "Deixo aqui declarado: eu não vou pagar por essa merda desse muro!", garantiu Fox. "Ele que o pague. Ele tem o dinheiro."

Há muito em jogo na próxima terça-feira

Neste momento, Trump lidera a contagem de delegados eleitorais que o representarão na Convenção Nacional Republicana em julho, de onde sairá o candidato final do partido que se baterá pela Casa Branca com o nomeado democrata. Depois de perder para o senador Ted Cruz no Iowa, o primeiro estado a ir a votos, a 1 de fevereiro, Trump alcançou três vitórias consecutivas, no New Hampshire, Carolina do Sul e esta semana no Nevada.

O "Washington Post" e outros jornais apontam que esta união de rivais para evitar que Trump dispute a Casa Branca em novembro com o vencedor das primárias democratas pode ter vindo "tarde demais". Para além de Trump, Rubio e Cruz, ainda estão na corrida republicana o governador do Ohio, John Kasich, e o neurocirurgião Ben Carson — protagonista de uma série de notícias recentes a questionar porque é que ainda está na corrida à nomeação, que no debate desta madrugada, perante os ataques e contra-ataques dos três principais rivais, se saiu com esta tirada: "Será que alguém me pode atacar, por favor?"

O debate desta madrugada foi o último antes da Super Terça-Feira, na próxima semana, em que vão a votos os estados do Alabama, Arkansas, Colorado*, Georgia, Massachusetts, Minnesota, Oklahoma, Tennessee, Texas, Vermont e Virginia, em modelo de primárias para ambos os partidos — para além do caucus republicano no Alaska e do caucus democrata na Samoa Americana.

Nesse dia, estarão em jogo 595 delegados eleitorais republicanos, cerca de 25% do total de delegados disponíveis. Para garantir a nomeação do partido conservador na Convenção Nacional marcada para julho, um candidato precisa de um mínimo de 1237 delegados. Do lado democrata, o candidato com mais votos nas primárias tem de assegurar pelo menos 2383 delegados — 1004 deles em disputa na super terça-feira.

Os estados que vão a votos na próxima semana representam ainda para os democratas cerca de 130 super delegados, que ao contrário dos restantes não são forçados a apoiar na Convenção Nacional Democrata o candidato que mais votos tiver alcançado nos estados que eles representam. Este ano, a maioria dos super delegados em jogo nas primárias democratas já juraram fidelidade à ex-Secretária de Estado, Hillary Clinton, que disputa a nomeação do partido com o candidato anti-sistema Bernie Sanders.

*Este ano, os republicanos do Colorado ditaram que serão os delegados nomeados e não os eleitores a escolher o candidato que o estado apoia. Por esse motivo, apenas os democratas terão primárias no Colorado na terça-feira