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Internacional

Nações Unidas denunciam crimes de guerra na Líbia

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Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, apresenta os resultados do relatório sobre a violência na Líbia

M.A.PUSHPA KUMARA/EPA

No relatório elaborado por uma equipa de seis pessoas são relatados torturas, violações, e outros abusos que podem ser considerados crimes de guerra, diz a ONU

Todos os envolvidos no conflito na Líbia terão cometido crimes de guerra, acusam as Nações Unidas num relatório divulgado esta quinta-feira. Tortura, rapto e execução de prisioneiros são os crimes denunciados neste estudo e que, segundo a ONU, devem ser punidos.

“Uma série de atores, do Estado e fora dele, são acusados de graves violações e abusos que podem, em muitos casos, ser considerados crimes de guerra”, disse o responsável da ONU pelos direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

Os abusos documentados foram cometidos entre 2014 e 2015, quando a situação naquele país se deteriorou de forma dramática. Foi no verão de 2014 que o Governo abandonou a capital, Tripoli, deixando o país nas mãos das milícias islâmicas.

A estabilidade política na Líbia entrou em colapso desde que Muammar Khadafi deixou o poder, em 2011, abrindo caminho ao estabelecimento de grupos rebeldes no país, entre os quais o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

O relatório detalha ataques e assassínios levados a cabo por alguns dos principais grupos armados, bem como atos de tortura cometidos pelas diferentes fações, que passam por espancamentos com tubos de plástico e cabos elétricos, eletrocução e privação de alimentos.

Relatos dramáticos

Os seis elementos da equipa de investigadores da ONU, responsáveis pela elaboração desta análise, realizaram mais de 200 entrevistas a vítimas e testemunhas da violência. Segundo eles, a maioria dos milhares de pessoas detidas naquele país não teve acesso a uma análise do seu caso, e muitas encontram-se em centros de detenção secretos.

Um elevado número de detidos são sujeitos a violência sexual durante o tempo de encarceramento, explicaram os investigadores.No relatório é apresentado o caso de uma mulher raptada em Tripoli por um grupo armado não identificado - foi drogada e violada repetidamente durante seis meses. Quando finalmente escapou ao cativeiro, descobriu que estava grávida. A mesma mulher testemunhou ainda ter visto seis meninas de onze anos a serem violentadas sexualmente por membros daquele grupo.

Outro dos flagelos denunciados no relatório é o do recrutamento forçado de crianças, por grupos rebeldes, para combaterem. No Daesh, como noutros, esta é uma prática comum. Os investigadores partilharam a história de dois rapazes, de 10 e 14 anos, retirados às suas famílias para participarem num treino com armas organizado pelo Daesh. Foram obrigados a usar munições reais e a assistir a vídeos de decapitações.

Os responsáveis pela elaboração do relatório pedem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que elabore uma lista dos indivíduos responsáveis pelas atrocidades na Líbia e que imponha sanções.