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“Cultura do medo que ainda existe na BBC” impediu denúncias de abusos cometidos por antigo apresentador

Getty Images

Investigação ao canal britânico apurou que vários funcionários sabiam que o famoso apresentador Jimmy Savile, que viria a falecer em 2011, abusava sexualmente de crianças mas que não o denunciaram às chefias por temerem repercussões

Inúmeros funcionários da BBC sabiam das queixas de abuso sexual de menores apresentadas contra Jimmy Savile, DJ e famoso apresentar do canal britânico, mas não informaram os seus superiores por causa “da cultura do medo que ainda existe” dentro da empresa. Esta é uma das principais conclusões da investigação a cargo de Janet Smith, que apurou que houve oito queixas informais apresentadas no canal contra Savile por abuso sexual de menores.

Num outro inquérito ao escândalo, foi concluído que a direção da BBC em Manchester também estava a par dos “comportamentos sexuais impróprios” do antigo apresentador do canal Stuart Hall e que nada fez quanto a isso.

De acordo com a investigação a cargo da antiga juíza do Supremo Tribunal britânico, iniciada em 2012 e cujos resultados foram tornados públicos esta quinta-feira, houve oito casos de violação cometidos por Savile no âmbito do seu trabalho como apresentador e DJ da BBC, que na sua maioria remontam à década de 70, bem como uma tentativa de violação. Todos os outros casos estão relacionados com o crime de abuso sexual de menores, aponta Smith.

A vítima mais nova tinha oito anos à data em que foi abusada sexualmente por Savile, que é suspeito de mais de 500 crimes de violação e abuso sexual de menores cometidos entre 1959 e 2006. O apresentador, um dos mais populares da história da BBC até surgirem as primeiras denúncias, morreu em outubro de 2011. A maioria das vítimas eram pessoas que conheceu graças ao famoso programa de música Top of the Pops, que apresentou entre 1964 e 2006.

No âmbito destas investigações ao escândalo, a BBC despediu esta semana Tony Blackburn, que em 1971 foi acusado de tentar seduzir uma rapariga de 15 anos que acabaria por se suicidar meses depois de apresentar a queixa. O veterano da BBC, de 73 anos, diz que essa queixa foi “rapidamente retirada” na altura e, em declarações ao “Guardian” esta quinta-feira, já garantiu que vai refutar o despedimento em tribunal.