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Áustria e Balcãs querem rejeitar todos os requerentes de asilo que não tenham passaporte

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Famílias de refugiados continuam a tentar chegar à Grécia. Muitos não resistem à travessia do Mar Egeu

Alexandros Avramidis / Reuters

Hungria vai levar a referendo sistema de quotas obrigatórias de acolhimento apresentado pela Comissão Europeia para distribuir 170 mil pessoas por todos os Estados-membros. Ministos da UE encontram-se esta quinta-feira em Bruxelas para discutir situação no terreno e futuro do espaço Schengen

Os ministros do Interior e os ministros da Justiça dos 28 Estados-membros da União Europeia encontram-se esta tarde em Bruxelas para discutir a crise dos refugiados, sob ameaças de que a falta de respostas ao problema humanitário vai ditar o fim do bloco europeu e com as atenções colocadas sobretudo no Espaço Schengen. Alguns países, que já reintroduziram controlos nas suas fronteiras, sugerem suspender as regras do espaço de livre circulação de bens e pessoas para "controlar" o número de refugiados e migrantes que entram nos seus territórios.

Neste momento, a Áustria e as nações dos Balcãs já deram a entender que querem parar quase totalmente de aceitar refugiados, tendo concordado em aplicar medidas para controlar e impedir a maioria das entradas de pessoas vindas do Médio Oriente e de África, onde guerras, ditaduras repressivas e crises alimentares estão a afugentar milhões de desesperados para o continente europeu. É possível que os cenários que tornam urgente a fuga aumentem as probabilidades de os indivíduos não conseguirem trazer os seus documentos consigo. Ainda assim, a Áustria já disse que vai começar a recusar entradas no seu território de todos os que não tenham os seus passaportes ou apresentem documentos falsos.

Esse é um dos pontos em discussão esta tarde, em Bruxelas, onde os ministros do Interior da UE irão debater os planos apresentados pela Áustria e por oito nações dos Balcãs, que preveem ainda obrigar todos os refugiados, requerentes de asilo e migrantes a registarem as suas impressões digitais à entrada no espaço Schengen — possivelmente recusando as passagens e acolhimento de todos os que não estejam em "necessidade urgente de proteção", aceitando apenas cidadãos sírios e iraquianos, especula a BBC.

A Hungria, que em setembro do ano passado concluiu a construção de um muro na fronteira com a Sérvia para redirecionar os refugiados e migrantes para fora do seu território, já anunciou que vai levar a referendo o sistema de quotas apresentado há um ano pela Comissão Europeia para se distribuir 170 mil de entre mais de um milhão de pessoas que chegaram ao território europeu entre janeiro e dezembro de 2015. Desde o início deste ano, mais de 100 mil pessoas já entraram na UE, na sua maioria pela Grécia — que se vê agora a braços com milhares de pessoas bloqueadas na sua fronteira com a Macedónia, na pequena aldeia de Idomeni.