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Presidente da Bolívia tem mesmo de abandonar o poder em 2020

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Apesar das desculpas, Morales diz que "o mundo foi testemunha da violação da imunidade diplomática", no que considera ter sido "um ato de agressão arbitrária, colonial, hostil, humilhante e inaceitável"

Guillermo Granja/Reuters

Tribunal eleitoral confirma vitória do “não” no referendo de domingo sobre alterações à Constituição para permitir um quarto mandato presidencial consecutivo a Evo Morales

Evo Morales vai mesmo ter de abandonar a presidência da Bolívia em 2020, depois de a população rejeitar, com uma curta margem, a proposta de se alterar a Constituição do país a fim de permitir que o Presidente pudesse ser candidato a um quarto mandato consecutivo nas eleições de 2019.

A confirmação foi dada na noite desta terça-feira pela presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, Katia Uriona. No referendo do passado domingo, avançou a oficial, já com 99,49% dos votos contabilizados, o "não" obteve 51,31% frente a 48,69% de votos para "sim".

Morales, que foi eleito pela primeira vez em 2005 tornando-se o primeiro Presidente da Bolívia de origem indígena, já declarou que vai aceitar os resultados da consulta popular. Num país onde o voto é obrigatório, 6,5 milhões de bolivianos, a juntar a 300 mil a viver no estrangeiro, foram chamados no domingo às urnas para autorizar o Presidente a disputar em 2020 um quarto mandato, o que lhe permitiria ficar no poder até 2025. Os observadores eleitorais criticam a lentidão na contagem de votos, mas dizem não haver qualquer suspeita de fraude eleitoral.

"Com o meu historial", tinha declarado ao jornal espanhol "El País" na véspera do referendo, "posso deixar [a presidência] feliz e voltar para casa contente. Adorava ser um treinador de desporto." Nessa entrevista, Morales acusou também a direita de levar a cabo uma "campanha suja" contra ele, depois de o socialista ter sido publicamente acusado de usar a sua influência como chefe de Estado para favorecer uma empresa de construção chinesa a operar na Bolívia e na qual a sua namorada, Gabriela Zapata, detém um importante cargo.

O escândalo afetou apenas ligeiramente a imagem de Morales, que continua a ser um Presidente bem-amado e cujas políticas económicas têm permitido que o país tenha ficado praticamente imune à crise do petróleo e do gás. Mas muitos cidadãos, sobretudo nos centros urbanos, aponta a BBC, consideram pouco democrático que ele pudesse permanecer 19 anos seguidos à frente do país. Neste momento, os partidos continuam por encontrar candidatos fortes à presidência que possam tomar o lugar do líder a partir de 2020.