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Patrulhas neonazis que “combatem” imigrantes e refugiados na Finlândia chegam à Noruega

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HEIKO JUNGE

Grupo “Soldados de Odin”, que diz querer fazer o trabalho que “a polícia não consegue”, alastra-se no norte da Europa, onde a extrema-direita continua a ganhar força e terreno

Os "Soldados de Odin", um grupo neonazi de "voluntários" que estão a patrulhar as ruas de várias cidades da Finlândia desde que o país começou a acolher refugiados, chegaram à Noruega — com várias testemunhas a descreverem à AFP terem avistado, entre sábado e domingo, nas cidades de Stavanger, Drammen e Kristiansand, grupos de homens envergando os blusões pretos de cabedal com o logo do grupo, um capacete viking.

"Queremos que as ruas estejam seguras, queremos livrar-nos da delinquência que vemos na Noruega hoje em dia e à qual a polícia não dá respostas", declara Ronny Alte, porta-voz do ramo norueguês dos neonazis. "Vendem-se drogas nas ruas, as raparigas estão a ser apalpadas, há ataques e violência por causa da chegada" de migrantes e refugiados, acusa. "Uma grande parte do crime em que nos focamos é resultado da imigração ilegal para a Noruega, após a Europa ter aberto as suas fronteiras."

Em 2015, a Finlândia acolheu 31 mil requerentes de asilo, parte do milhão de pessoas que entrou na União Europeia durante o ano passado fugidas de guerras e da fome no Médio Oriente e em África. Estas pessoas são, na sua maoiria, refugiados que pedem à Europa a proteção que não lhes é garantida nos seus países de origem — caso da Síria, que está em guerra civil desde março de 2011.

Há uma semana, alguns residentes de Tonsberg, no sul da Noruega, entraram em confrontos verbais com um grupo de "Soldados de Odin", dizendo-lhes que não precisam da sua proteção. Foi a primeira vez que o fenómeno neonazi foi registado no país nórdico, que em janeiro se juntou à lista de países europeus que sugerem a apreensão de bens dos refugiados para alegadamente cobrir as despesas de asilo.

O grupo de autointitulados "soldados" garante que neste momento já controla pelo menos 20 cidades da Finlândia. O seu alastramento à Noruega e possivelmente à Suécia é um reflexo direito dos recentes ganhos da extrema-direita no norte da Europa.