Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Johnson & Johnson's condenada a pagar €65 milhões por causa de pó de talco cancerígeno

  • 333

Chris Hondros

Caso judicial no Missouri terminou com sentença à empresa que fabrica produtos de higiene para bebés, depois de iniciado pela família de uma mulher que morreu de cancro nos ovários

Um júri do Missouri condenou esta terça-feira a empresa Johnson & Johnson's a pagar uma indemnização de 72 milhões de dólares (cerca de 65 milhões de euros) à família de uma norte-americana que morreu de cancro nos ovários, doença que os familiares garantiram ter sido provocada pelo famoso pó de talco da empresa e por outros produtos que contêm talco.

O caso judicial foi iniciado por Jackie Fox, de Birmingham, no estado do Alabama, cuja mãe morreu em outubro de 2015 aos 62 anos, mas integrou um caso maior que envolvia quase 60 queixas distintas apresentadas contra a empresa nos Estados Unidos. Marvin Salter, de Jacksonville, na Florida, foi outro dos queixosos a argumentar que a sua mãe morreu por causa dos produtos da Johnson & Johnson's. "Tornou-se natural para ela [usar pó-de-talco da empresa durante décadas], tal como escovar os dentes", disse durante o julgamento. "É uma marca que está em todos os lares."

Confrontado com os testemunhos, o júri decidiu que Fox tem direito a receber 10 milhões de dólares (9,07 milhões de euros) por danos efetivos e 62 milhões de dólares (56,2 milhões de euros) de indemnização punitiva. O advogado da queixosa, James Onder, diz já estar à espera que a maior fabricante mundial de produtos de higiene recorra da sentença em tribunal.

Esta não é a primeira vez que a multinacional com sede em New Jersey é acusada de usar ingredientes tóxicos nos seus produtos. Em maio de 2009, uma coligação de organizações da sociedade civil, chamada Campanha por Comésticos Seguros, começou a publicar relatórios onde denunciava a Johnson & Johnson's por usar ingredientes de qualidade questionável nos seus produtos para adultos e bebés. Depois de três anos de petições, publicidade negativa e ameaças de boicote, nota o "The Guardian", a empresa aceitou em 2012 parar de utilizar formaldeído e dioxane 1,4, ambos comprovadamente cancerígenos, até ao final do ano passado.