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Uma foto “arrepiante” de Mark Zuckerberg espelha o futuro que nos aguarda?

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Imagem do CEO do Facebook a sorrir no meio de uma multidão imersa numa experiência de realidade virtual abre novo espaço à discussão sobre o futuro do ser humano na era tecnológica

A fotografia quase dispensa explicações. Captada durante o Mobile World Congress, a decorrer em Barcelona, a imagem mostra uma multidão de jornalistas e entusiastas da área sentados numa sala, cada qual desligado da realidade real e imerso numa experiência de realidade virtual, e Mark Zuckerberg a passear entre eles com um sorriso que o "Washington Post" adjetiva de "arrepiante".

Os jornalistas participavam nos primeiros testes públicos da câmara de realidade virtual Gear 360 da Samsung, instalada em pares de óculos especiais que permitem ao utilizador viajar até outras realidades sem sair do sofá. Enquanto experimentavam o equipamento, os jornalistas não se aperceberam de que o fundador do Facebook se passeava entre eles, saltando com perguntas e curiosidades assim que retiraram os óculos e o avistaram na sala. Só mais tarde, quando a fotografia começou a ser partilhada, é que começaram a ser colocadas questões mais sérias sobre o que esta imagem poderá refletir do futuro que nos espera.

"Será esta imagem a alegoria do nosso futuro?", questiona Nicolas DeBock no seu Twitter. "As pessoas em realidades virtuais com os nossos líderes a passarem por nós?" Também não tardaram as comparações com o primeiro anúncio televisivo da Apple, divulgado no ano da distopia de George Orwell "1984" — uma referência incontornável entre os que hoje tentam alertar para os perigos da evolução tecnológica desenfreada. A par dessa publicidade, onde o Macintosh é apresentado como um instrumento de oposição à opressão tecnológica de massa, utilizadores das redes sociais, incluindo daquela que foi criada por Zuckerberg, comparam ainda esta fotografia do fundador do Facebook ao "The Matrix", a trilogia cinematográfica estreada em 1999 que explora um mundo onde os seres humanos são criados numa espécie de vagens e onde a única forma de experienciarem o que se considera ser a "realidade real" é através de um software eletrónico implantando dentro de cada pessoa, e ao qual se acede através de uma "tomada" na nuca; a transformação dos humanos em pilhas que alimentam a maquinaria massiva que domina a realidade.

Apresentando a sua visão de futuro, Zuckerberg defende que estes novos aparelhos permitem uma experiência de realidade virtual que pode vir a ser a "maior plataforma social" de interação entre seres humanos. Mas há quem lembre que podemos estar a encaminhar-nos para um futuro em que cada pessoa vive sozinha numa ilha de realidades não-reais, sem qualquer contacto humano real e imersas numa distração que as faz esquecer os seus papéis políticos e sociais, enquanto os seus líderes tomam decisões sem qualquer espécie de oposição.

"Na era da tecnologia avançada", lembra o especialista de media Neil Postman, citado pelo "Washington Post", "é mais provável que a devastação espiritual venha de um inimigo que tem um sorriso na cara". Como o de Zuckerberg?