Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

PSOE e Ciudadanos “às portas de um acordo” em Espanha

  • 333

SUSANA VERA/ Reuters

Líder do PSOE explica que está em causa um pacto para a legislatura e que se trata de “uma boa base para liderar uma mudança política”

“Estamos às portas de um acordo” com o Ciudadanos, assegurou esta terça-feira o líder do PSOE, Pedro Sanchéz, após o congresso de deputados em Madrid. O pacto será para a legislatura e, disse Sánchez, é “uma boa base” para a mudança.

"Estamos à porta de um pacto entre duas forças políticas relevantes do centro-direita (Ciudadanos) e do centro-esquerda (PSOE) e será uma boa base para liderar uma política de mudança", disse aos jornalistas em conferência de imprensa, em que apenas aceitou responder a duas perguntas.

Só à saída do edifício é que Pedro Sánchez especificou que o que está em causa é uma “acordo de legislatura” e não apenas um acordo que lhe permita ter os 40 votos “sim” do Ciudadanos para a votação de investidura do presidente do Governo, agora marcada para 3 de março.

Como o PSOE apenas elegeu 90 deputados, um eventual acordo de governo com o Ciudadanos requer o "sim" ou a abstenção do Podemos (64 deputados) ou do PP (123 assentos) para passar numa segunda votação, que já só exige maioria simples (na primeira é preciso maioria absoluta, ou seja, 176 votos a favor).

"Se estas são as propostas, nós dizemos que sim", afirmou o líder socialista, insistindo depois: "Se estas são as condições, que ninguém duvide de que haverá um acordo".

Esta quarta-feira, Sánchez vai discutir os termos do eventual acordo com o Ciudadanos numa reunião do Comité Executivo do PSOE, da qual sairá a pergunta que o líder socialista vai colocar, em referendo ao acordo, aos cerca de 200 mil militantes.

Sánchez não explicou, no entanto, como vai conseguir mais apoios para poder ser investido ou formar governo - por exemplo, caso o Podemos se junte ao PP no "não" ao acordo com o centro-direita. PSOE e Ciudadanos somam apenas 130 votos (mesmo numa segunda votação precisam pelo menos de 143 e, necessariamente, da abstenção de Podemos ou PP).

O número dois do Podemos, Íñigo Errejón, foi taxativo sobre um acordo, ainda antes de se saber que Sánchez aceitará as condições do Ciudadanos: "Um acordo [do PSOE] com o Ciudadanos é absolutamente irrelevante". "Não tem votos suficientes. O PSOE pode chegar a acordo com o Ciudadanos ou com o [herói de banda desenhada] Capitão Trovão. Não haverá governo", explicou Errejón.

O Podemos propôs ao PSOE formar um governo de coligação incluindo a Izquierda Unida (comunistas), mas os socialistas preferem um governo de cor única e acordos parlamentares. Hoje de manhã, o líder do Podemos, Pablo Iglesias, disse que, se seguir esta via, o PSOE vai ter de negociar o "sim" com o PP de Mariano Rajoy, deixando no ar que votará contra.