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Obama: Guantánamo “enfraqueceu” a segurança nacional

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MANDEL NGAN/AFP/Getty Images

Esta terça-feira, o presidente norte-americano apresentou um plano para encerrar a prisão militar, que em 2002 recebeu os primeiros detidos. Chegaram a ser 700. Guantánamo passou a ser sinónimo de atos de tortura, de detenções sem julgamento e de fatos de macaco cor de laranja. Agora, Barack Obama quer fechar esse “capítulo da história”

O Presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou esta terça-feira que a prisão militar de Guantánamo manchou a imagem dos Estados Unidos no exterior e enfraqueceu a segurança nacional.

O chefe de Estado norte-americano fazia uma declaração na Casa Branca para apresentar um plano para o encerramento do centro de detenção, localizado no sul da ilha de Cuba, que foi criado após os atentados de 11 de setembro de 2001 para acolher suspeitos de terrorismo.
"Por muitos anos tem sido claro que o centro de detenção na baía de Guantánamo não promoveu a nossa segurança nacional. Enfraqueceu-a", disse Obama.

Na mesma intervenção, o Presidente defendeu que chegou a hora de encerrar um local que traiu os interesses e os valores dos Estados Unidos.

"Trata-se de encerrar um capítulo da nossa história. Reflete as lições que aprendemos desde o 11 de setembro. Lições que precisam de guiar a nossa nação para a frente", reforçou.

Atualmente, 91 suspeitos de terrorismo permanecem em Guantánamo.

A prisão, que recebeu os primeiros detidos há 14 anos (em 2002), chegou a contar com cerca de 700 prisioneiros e tornou-se sinónimo, a nível mundial, de atos de tortura, de detenções indefinidas e sem julgamento, bem como de fatos de macaco cor de laranja.

Obama tem tentado encerrar Guantánamo desde que tomou posse em 2009, mas os seus esforços têm sido contrariados pelos legisladores republicanos, que atualmente controlam o Congresso norte-americano. Muitos republicanos encaram Guantánamo como uma ferramenta útil na luta contra o terrorismo.

O chefe de Estado norte-americano argumenta que tem o efeito oposto, afirmando que Guantánamo alimenta os sentimentos antiamericanos e a propaganda 'jihadista'.

O Presidente norte-americano também tem recebido críticas dentro da sua própria administração. Algumas vozes apontam para a lentidão dos processos de transferência e os custos associados ao encerramento do centro de detenção.

"Este plano merece uma avaliação justa, mesmo num ano eleitoral", disse Obama.

O plano hoje apresentado considera 13 localizações diferentes no território norte-americano para a transferência de prisioneiros de Guantánamo, mas sem recomendar nenhuma em particular.

Entre as 13 localizações estão incluídas prisões já existentes em estados como Colorado ou Carolina do Sul, mas também novas instalações a serem construídas em algumas bases militares norte-americanas.

Desenvolvido durante meses, o plano prevê a transferência entre 30 a 60 presos para o território norte-americano.

O orçamento previsto pela administração norte-americana para este plano oscila entre os 290 milhões (263 milhões de euros) e os 475 milhões de dólares (430 milhões de euros), dependendo do número de prisioneiros transferidos para o território norte-americano e das instalações escolhidas.

Dos 91 prisioneiros que ainda estão em Guantánamo, 35 receberam a aprovação necessária para serem transferidos para terceiros países nos próximos meses.

Entre os restantes 56, estão 10 prisioneiros que enfrentam acusações ou foram condenados em julgamentos perante comissões militares. Os restantes são considerados demasiado perigosos para saírem em liberdade ou para serem transferidos para um terceiro país.

Sem grande surpresa, o plano suscitou imediatamente reações do lado do Partido Republicano.

"A proposta não tem detalhes cruciais, exigidos por lei, tais como o custo exato e a localização de um novo centro de detenção", criticou Paul Ryan, presidente republicano da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano).

"Não vamos arriscar a nossa segurança nacional por uma promessa de campanha", reforçou.

O senador republicano e ex-candidato presidencial John McCain qualificou o plano como "vago", anunciando que a comissão que integra (Comissão das Forças Armadas) vai realizar audições para avaliar a proposta da administração norte-americana (democrata).

McCain advertiu, porém, que Obama "perdeu a oportunidade de convencer o Congresso e os americanos que tinha um projeto responsável para encerrar a prisão de Guantánamo".

Se o Congresso bloquear esta iniciativa, a administração norte-americana pode tentar agir através de decretos. Mas a Casa Branca tem tido, até agora, uma posição evasiva sobre este assunto e a margem de manobra do presidente é incerta e divide os analistas.