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Expresso

Internacional

Itália apresenta um plano antiausteridade

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ALESSANDRO BIANCHI / Reuters

Matteo Renzi pede à Comissão Europeia regras fiscais mais flexíveis, políticas de crescimento, um orçamento europeu e uma partilha de encargos na crise dos refugiados

Rafael Silva

Empenhado no combate às políticas de austeridade da Comissão Europeia, o governo italiano publicou esta segunda-feira "Uma estratégia política partilhada para o crescimento, emprego e estabilidade". Em vésperas da visita do presidente da Comissão Jean-Claude Juncker a Roma, o documento de nove páginas inclui "propostas concretas" do Ministério da Economia e Finanças italiano.

"As regras fiscais devem ser adequadas a um clima económico desafiante", diz o documento, acrescentando que "o quadro desenhado para condições normais de crescimento e inflação já provou ser ineficiente no combate ao impacto de um baixo crescimento nas perspetivas de crescimento e na dinâmica da dívida.

O governo de Renzi, que tem pedido à UE flexbilidade na avaliação dos orçamentos dos Estados-membros, diz que o Pacto de Estabilidade e Crescimento proposto pela Comissão cria os incentivos necessários para reformas e investimento.

Sobre a crise migratória, Itália diz que a partilha de responsabilidades na gestão das fronteiras externas da União Europeia "representaria uma resposta poderosa" do bloco. O país sugere a criação de um "mecanismo de fundos mutualistas" na gestão das fronteiras europeias "que podem levar à emissão de obrigações comuns", já sugeridas no início da crise na zona euro e sempre recusadas pela Alemanha.

Numa crítica à Alemanha, o documento declara que "a partilha do risco e a mutualização representam um poderoso incentivo para o cumprimento das regras financeiras e previnem um comportamento oportunista."

Roma considera também importante a existência de um orçamento europeu gerido por um ministro das finanças da zona euro.

Juncker encontra-se esta sexta-feira com Renzi e outros representantes oficiais italianos, para tentarem suavizar a atual relação que ambos mantêm e que tem repercussões no seio do Eurogrupo.

Numa mensagem de ano novo, Juncker acusou Renzi de "vilificar e criticar a comissão em cada esquina". Em dezembro, o primeiro-ministro italiano disse que "a Europa tem de servir todos os 28 Estados-membros e não apenas um", referindo-se às relações próximas que o presidente da Comissão mantém com Angela Merkel.