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Brexit. Cameron ridiculariza “carreirismo” de Boris Johnson

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Em debate no Parlamento dedicado ao referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia, o primeiro-ministro criticou o autarca de Londres por defender a saída do bloco apenas para garantir votos nas legislativas às quais quer ser candidato

A guerra já semeada entre os que apoiam a saída do Reino Unido da União Europeia e os que querem manter o país no bloco europeu entrou numa nova fase, com o primeiro-ministro britânico a acusar à boca-cheia o colega conservador Boris Johnson de que só está a fazer campanha pela chamada Brexit porque quer roubar-lhe o lugar à frente do executivo, nas próximas legislativas britânicas.

Durante o debate parlamentar à questão que será levada a referendo já no próximo dia 23 de junho, como anunciado pelo governo de David Cameron este fim de semana, o líder dos conservadores acusou o autarca de Londres de "carreirismo", usando o seu tempo de antena na Casa dos Comuns para atacar publicamente Johnson.

"Eu não vou ser candidato à reeleição", declarou Cameron, numa primeira referência indireta às ambições políticas de Boris Johnson. "Não tenho outra agenda a não ser escolher o que é melhor para o nosso país. Estou aqui a dizer-vos aquilo que eu penso", declarou Cameron — que há dois dias conseguiu firmar um antecipado acordo com os parceiros europeus para garantir um "estatuto especial" ao Reino Unido dentro da UE que convença a maioria dos britânicos a optar por ficar no bloco europeu.

Cameron ridicularizou ainda as declarações ambíguas proferidas por Johnson num artigo de opinião publicado esta segunda-feira, onde o presidente da Câmara de Londres argumenta que sair da UE é o melhor acordo para a Grã-Bretanha. O primeiro-ministro lembrou, de seguida, os deputados de que o resultado da consulta popular de junho "será uma decisão final" e que uma segunda renegociação com a UE "não está a votos".

"Não vou alongar-me muito sobre o quão irónico é que algumas pessoas que querem votar pela saída [da UE] aparentemente queiram usar o seu voto de saída para ficar [na UE]", declarou o primeiro-ministro. "Tal abordagem ignora os pontos mais profundos sobre democracia, diplomacia e legalidade."