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A “epidemia do desperdício”: sabe quanto lixo produz numa semana?

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Gregg Segal fotografou amigos e vizinhos deitados no seu quintal, rodeados do lixo que produzem numa semana. Objetivo: responsabilizar o modelo económico do país que gera mais lixo no mundo - os EUA, mas esta é uma experiência dirigida ao mundo inteiro

Sabe quanto lixo produz numa semana? É fácil perder a conta, uma vez que os desperdícios são colocados em sacos de lixo que, por sua vez, vão parar aos contentores, desaparecendo da nossa vista para sempre. No entanto, nos EUA, o país cujos cidadãos geram mais lixo no mundo, um fotógrafo teve uma ideia para colocar este problema no centro das atenções: e se cada pessoa pudesse ver pelos seus próprios olhos a quantidade de lixo que gera?

Esta é a base do projeto que Gregg Segal conduziu em janeiro de 2014, convidando amigos e vizinhos que como ele residem em Altadena, Califórnia, a guardarem o lixo que produziam durante uma semana e depois serem fotografados com ele. O objetivo, diz o fotógrafo à Quartz, era fazer com que estas pessoas "tivessem noção dos seus hábitos e talvez até fizessem algumas mudanças nas suas rotinas".

O resultado é impressionante, dado que cada americano produz em média dois quilos de lixo diariamente (o fotógrafo calcula que na Europa geramos um quilo por dia) - imagine-se numa semana. Nas fotografias, pessoas ou famílias de todas as idades estão deitadas no quintal de Segal, disfarçado de praia, mar ou floresta, rodeadas do seu próprio lixo.

"Algumas destas pessoas retiraram algum do lixo, deitando fora os objetos que cheiravam muito mal, mas outros foram fiéis ao conceito e trouxeram tudo, até tampões", relata Segal ao "The Guardian".

No entanto, o objetivo do fotógrafo não é envergonhar os protagonistas destes retratos. "Somos vítimas do conforto e da conveniência. É difícil mudar os nossos hábitos quando é tão fácil usar e deitar fora", explica, apontando o dedo a quem produz e não a quem consome: "O fardo desta responsabilidade é do produtor. O nosso modelo económico e a sua necessidade de crescimento continuado alimentam a epidemia de desperdício".

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