Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Primárias dos EUA. Republicanos preparam-se para “calamidade” no Nevada

  • 333

Jonathan Ernst/Reuters

Estado que este sábado deu a vitória a Hillary Clinton, com uma curta margem na corrida democrata, escolhe esta terça-feira o seu candidato republicano à Casa Branca. Vitória estrondosa de Donald Trump na Carolina do Sul, no fim de semana, preocupa membros do partido conservador

"Que raio aconteceu na Carolina do Sul e no Nevada?" Assim perguntou este domingo a revista "Rolling Stone", no rescaldo das primárias republicanas no primeiro daqueles estados — que firmaram a enorme vantagem de Donald Trump na corrida pela nomeação do partido — e do caucus democrata no Nevada, que deu uma estreita vitória a Hillary Clinton sobre Bernie Sanders.

Acima de tudo, a votação republicana deste fim de semana entra para a história como aquela que veio pôr fim à dinastia Bush. Desde o início das votações primárias que Jeb Bush estava (quase totalmente) desaparecido em combate. Falhou um dos três lugares cimeiros da corrida nesse estado, no New Hampshire e, este sábado, na Carolina do Sul. Os analistas previam que, se não conseguisse melhorar a sua performance este fim de semana, o irmão do ex-Presidente dos EUA George W. Bush, e filho do antigo Presidente George H. W. Bush, teria de abandonar a corrida. E abandonou mesmo, com os media a publicarem o último capítulo desta crónica de uma morte anunciada. A "New York Magazine" escreveu mesmo, no rescaldo do anúncio formal do candidato: "Jeb Bush está finalmente preparado para parar de fingir que podia ser Presidente".

Com menos um candidato na corrida republicana, Trump vê melhoradas as hipóteses de vir a conseguir a nomeação do partido para disputar a Casa Branca com um rival democrata. Tal parece agora uma probabilidade muito possível, sobretudo considerando o que o "The Washington Post" destacou este domingo: seis dos últimos sete pré-candidatos republicanos que conseguiram a nomeação do partido em ano de eleições venceram na Carolina do Sul, com três desses a chegarem à Casa Branca (George W. Bush em 2000, George H. W. Bush em 1988 e Ronald Reagan em 1980).

Trump parte assim reforçado da Carolina do Sul para o Nevada, onde esta terça-feira os republicanos irão escolher o seu candidato em processo de caucus.

Nevada, uma "calamidade" à espera de acontecer

Não somos nós que o dizemos, antes a revista "Politico", citando as dificuldades que os republicanos no terreno estão a ter em antever quem vencerá a próxima etapa das primárias do partido. A julgar pelo que aconteceu do lado democrata no mesmo estado este sábado, há razões para preocupação.

No fim de semana, apenas 80 mil eleitores registados como democratas apareceram nas discussões e eventuais votações conhecidas como caucus, o correspondente a um terço do total de cidadãos que apareceu para escolher o candidato democrata às eleições presidenciais de 2008. Foi isso, dita a "Vox", que em última instância ditou a derrota de Bernie Sanders para Hillary Clinton, ainda que sites como a BBC tenham tentado explicar como os dois candidatos democratas saíram, simultaneamente, a ganhar e a perder do Nevada.

Pelo contrário, do lado republicano, a vitória de Trump na Carolina do Sul, este sábado, só aumenta as suas hipóteses de ganhar no Nevada e de seguir mais reforçado do que nunca para a importante Super Terça-Feira. Apesar de a "Politico" não referir que seja essa a "calamidade" à espera de acontecer, as cisões internas do Partido Republicano por causa da candidatura de Trump deixam claro que a possibilidade assusta seriamente muitos conservadores.

De acordo com as últimas sondagens de intenção de voto, o magnata de Nova Iorque angaria mais 20% de popularidade no Nevada do que o seu rival mais próximo, o senador Ted Cruz, que espantou muitos ao ganhar no Iowa mas que, desde então, ficou sempre em segundo lugar atrás de Trump.

Depois de os republicanos do Nevada escolherem o seu candidato no caucus desta terça-feira, os democratas da Carolina do Sul escolhem entre Clinton e Sanders nas primárias marcadas para o próximo sábado. Estas são as duas últimas etapas na corrida dos dois partidos antes da chamada Super Tuesday, que este ano acontece a 1 de março, quando os candidatos se desdobram entre as 13 votações simultâneas em curso nesse dia.

Os estados a ir a votos na Super Terça-feira — um dos momentos cruciais de qualquer corrida presidencial norte-americana — são estes: Alabama, Alaska, Arkansas, Colorado, Georgia, Massachusetts, Minnesota, Oklahoma, Tennessee, Texas, Vermont, Virginia e Wyoming.