Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Dois antigos Presidentes do Irão pedem “voto em massa” contra conservadores extremistas

  • 333

Hassan Rouhani, atual Presidente do Irão, integra a onda reformista da política nacional

GETTY

Iranianos vão às urnas na sexta-feira eleger o próximo Parlamento e a Constituição da Assembleia de Especialistas, ambos dominados pelos conservadores. Atual Presidente, o reformista Hassan Rouhani, espera que eleições revertam essa maioria

Dois ex-Presidentes iranianos, o reformista Mohammad Khatami (1997-2005) e o moderado Akbar Hashemi Rafsandjani (1989-1997), estão a apelar aos eleitores para que votem em massa na próxima sexta-feira pelos candidatos reformistas, de forma a “barrar o caminho aos extremistas”.

No final desta semana, os iranianos são chamados às urnas para um duplo escrutínio, elegendo os membros do próximo Parlamento e da chamada Assembleia de Especialistas, uma instituição de religiosos encarregados de nomear e de eventualmente demitir o guia supremo (aiatola). Os dois organismos são atualmente dominados pelos conservadores.

“Após o primeiro passo e o sucesso das presidenciais de 2013 [a vitória do Presidente moderado Hassan Rouhani], a coligação dá início ao segundo passo com as legislativas”, afirmou Khatami, numa mensagem de vídeo publicada no seu portal na internet este domingo, pedindo o voto na "lista da esperança". Apesar de imagens e declarações de Khatami estarem banidas dos media iranianos desde as eleições presidenciais de 2009 — por ter apoiado os líderes do movimento reformista que acabaram por perder o plebiscito para Mahmoud Ahmadinejad, o conservador então no poder — Khatami continua a ser uma importante figura da coligação pró-Rouhani, a Aliança de Reformistas e Apoiantes do Governo.

As suas declarações públicas, a par das de Rafsandjani, surgiram poucas horas antes de os conservadores iranianos denunciarem a "campanha indecente" da BBC de apoio à ala reformista iraniana. Segundo a imprensa local na manhã desta segunda-feira, vários sectores iranianos estão a tentar conquistar votos atacando o serviço persa da BBC, proibido no país mas amplamente seguido pelos cidadãos via satélite.

O facto de o canal ter apelado ao voto contra os candidatos conservadores, em linha com os dois ex-Presidentes, desencadeou uma onda de acusações entre as várias fações que dominam a política do país. O aiatola Mohammad Yazdi, do poderoso Conselho de Guardiães, que tem capacidade de veto para os candidatos eleitorais, pediu esta segunda-feira, segundo o jornal "Keihan", aos candidatos defendidos pela BBC para que “mostrem a sua inocência neste assunto” porque, caso contrário, não serão vistos com bons olhos pelo povo iraniano.