Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Dois anos de prisão para egípcio autor de romance que causou “palpitações cardíacas”

Extratos do romance de Ahmed Naji publicados numa revista estatal foram considerados “sexualmente explícitos”

O escritor egípcio Ahmed Naji foi este fim de semana condenado a dois anos de prisão, em sequência de uma queixa apresentada por um cidadão que sustenta que excertos do seu romance “O Guia para Usar a Vida”, publicados numa revista estatal egípcia, lhe causaram “enjoo” e “palpitações cardíacas”.

O tribunal considerou que as descrições “sexualmente explicitas” por parte de Naji, com recurso a linguagem “vulgar” para descrever os genitais e a penetração sexual, constituíram um “atentado ao pudor”, sendo “uma doença que destrói os valores sociais”.

O escritor fora anteriormente absolvido, mas os procuradores apresentaram recurso da decisão levando à nova sentença, que não tardõu a precipitar diversas criticas.

“O vosso Estado e instituições, tais como aquelas do seu predecessor, odeiam os intelectuais, o pensamento e a criatividade, e só gostam de hipócritas, bajuladores e criadores de poemas que os apoiam e bajulam”, escreve Ibrahim Eissa num artigo de opinião publicado no diário “al-Maqal”, argumentando que deste modo o atual regime não se diferencia muito do do destituído Presidente Mohammed Morsi e da Irmandade Muçulmana.

“A continuação de tais políticas irá aumentar os receios de que pessoas com diferentes pontos de vista e escritores de ficções possam ser colocados na prisão pela mera expressão das suas opiniões”, refere em reação à sentença uma declaração conjunta de diversas organizações cívicas.

Tarek El-Taher, o editor da revista, foi multado em cerca 1100 euros. O escritor foi detido no momento da leitura da sentença e levado para a prisão. Os seus advogados apresentaram um pedido de suspensão da sentença, da qual recorreram.

Antes de Ahmed Naji, nos últimos meses outros três egípcios foram punidos por acusações semelhantes. O produtor Rana El-Sobkuy foi condenado a um ano de prisão por um dos seus filmes ter constituído um “atentado ao pudor”; e a poetisa Fatma Naoot consenada a três anos por um comentário escrito no Facebook, que supostamente desrespeitou a religião. Ambos apresentaram recurso das sentenças.

Também o apresentador de televisão Islam El-Beheiry está a cumprir um ano de prisão, por supostamente ter desrespeitado a religião ao questionar ensinamentos tradicionais do Islão.