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“Cameron está acabado independentemente do resultado do referendo"

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Iain Duncan Smith, ministro britânico do Trabalho e das Pensões

Olivia Harris/Reuters

Augúrio é do “The Independent” no rescaldo do acordo alcançado pelo primeiro-ministro britânico em Bruxelas e de ter anunciado para 23 de junho o referendo à permanência na UE . Iain Duncan Smith, seu ministro e um dos seis membros do governo que já anunciaram que vão fazer campanha pela saída do bloco europeu, diz que ficar na UE “aumenta os riscos de atentados terroristas no Reino Unido

Permanecer na União Europeia vai tornar o Reino Unido mais vulnerável a atentados como os que em novembro de 2015 provocaram 130 mortos em Paris. A declaração é de Iain Duncan Smith, ministro britânico do Trabalho e das Pensões, um de seis membros do governo de David Cameron que já estão a fazer campanha pela saída do bloco no referendo que o seu chefe do executivo convocou este fim de semana para 23 de junho.

Em entrevista à BBC, o ministro questiona a eficácia dos cortes nos benefícios de migrantes dentro do Reino Unido sob o acordo que Cameron conseguiu ver aprovado em Bruxelas e que, efetivamente, dá um "estatuto especial" ao Estado-membro.

Contactado pelo mesmo canal, Cameron garantiu que o Reino Unido está "mais seguro e mais forte" dentro da União Europeia graças ao acordo que conseguiu que fosse aprovado pelos parceiros europeus, sublinhando que deixar a união é "um salto no escuro". Duncan Smith contrapõe que permanecer no bloco dos 28 é, precisamente, o que torna o país mais vulnerável.

"Estas fronteiras abertas não nos permitem controlar as pessoas que vêm [para o Reino Unido] e que passam cá tempo", declarou o ministro.

Para além de Duncan Smith e de outros cinco membros do governo, também o líder do partido eurocético UKIP, Nigel Farage, e Zac Goldsmith, candidata trabalhista às municipais de Londres, já anunciaram que vão fazer campanha pela saída da UE. Também Boris Johnson, anunciou num artigo de opinião no "Daily Telegraph" que é pelo fim da integração europeia, declarando que ficar na União Europeia irá corresponder a uma "erosão da democracia".

Apesar de não integrar o governo britânico, o apoio do conservador Johnson à saída do Reino Unido da UE está a ser visto como o mais duro golpe a David Cameron, após este ter firmado o acordo em Bruxelas. Para a proeminente revista britânica "New Statesman", só essa postura de Johnson faz sentido considerando as suas ambições de ficar com o lugar de Cameron nas próximas eleições legislativas.

O fim de David Cameron

Depois de meses de negociações de bastidores com o presidente do Conselho Europeu Donald Tusk, Cameron surgiu vitorioso este sábado para anunciar que um acordo com os parceiros europeus tinha sido alcançado que garante ao Reino Unido um "estatuto especial" dentro da UE. A sua certeza era a de que, ao conseguir da parte dos líderes europeus mais garantias de auonomia política e proteção da libra face à moeda única, garantiria o necessário para convencer a população britânica a escolher ficar dentro da união no referendo. Mas as divisões começaram de imediato e partiram de dentro do seu executivo.

É o que Laura Kuenssberg, a correspondente política da BBC, classifica de "nova realidade, ainda que possa ser temporária: ministros do gabinete a discordarem totalmente uns com os outros, oficialmente e publicamente; um cenário tradicionalmente impensável, certamente arriscado e difícil de controlar". E é o que justifica o título do "The Independent", que já prevê "o fim de David Cameron independentemente do que acontecer no referendo".

"Ao que parece, muitos dos deputados Tories [conservadores, partido de Cameron] não pensam como Cameron de forma alguma. Eles não estavam, como o primeiro-ministro, à espera para ver se podiam continuar na UE [consoante o acordo alcançado em Bruxelas]; eles estavam à espera para ver quando podiam finalmente anunciar que querem sair sem automaticamente porem fim às suas carreiras", escreve o jornal este domingo.

Segundo as últimas sondagens de intenção de voto, os britânicos estão bastante divididos entre sair e ficar na UE. O referendo prometido ao longo de vários meses por Cameron, uma jogada política para pressionar os parceiros europeus, acontece a 23 de junho.