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Mais de 100 mortos em ataques na Síria

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STR/EPA

Os ataques não foram ainda reivindicados, mas as principais suspeitas recaem sobre o Estado Islâmico, que no passado foi responsável por uma série de ataques no país. Os incidentes ocorrem no mesmo dia em que os chefes da diplomacia da Rússia e dos Estados Unidos anunciaram ter chegado a um “acordo provisório” para um cessar-fogo na Síria

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos 57 pessoas morreram em mais um ataque na cidade de Homs, na Síria. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês), que divulgou a notícia, entre as vítimas da explosão dos dois carros armadilhados encontravam-se sobretudo civis. A explosão deu-se no bairro de Zahra, uma zona de maioria xiita no centro de Homs.

Além desse ataque, há registo de quatro explosões em Damasco, no subúrbio xiita de Sayyidah Zaynab, de que resultaram pelo menos 50 mortos e 100 feridos, segundo a televisão estatal e o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. Nenhum dos ataques foi ainda reivindicado, mas as principais suspeitas recaem sobre o autoproclamado Estado Islâmico, que no passado foi responsável por uma série de ataques tanto numa cidade como noutra.

Um dos ataques mais recentes aconteceu em janeiro deste ano, em Damasco, junto à mesquita que alberga o mausoléu de Sayyidah Zaynab, neta de Maomé e filha do imã Ali. Dois bombistas fizeram-se explodir, matando 60 pessoas e ferindo outras tantas.

As explosões em Damasco e Homs acontecem no mesmo dia em que os secretários de Estado John Kerry e Sergei Lavrov anunciaram ter chegado a um "acordo provisório" para um cessar-fogo na Síria nos próximos dias, que deveria ter entrado em vigor na passada sexta-feira. "Foi alcançado um acordo provisório, um princípio de acordo" com Lavrov para travar as hostilidades "nos próximos dias", disse Kerry em Amã, durante uma conferência de imprensa com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, Naser Judeh.

O responsável norte-americano não apresentou datas ou mais detalhes sobre o acordo, limitando-se a dizer que "quase se chegou a um acordo sobre as modalidades para o cessar-fogo". Em conversa com jornalistas, John Kerry afirmou que a guerra síria não pode ser vencida pela força das armas e sublinhou que uma solução política "com um governo transitório sem Assad" é a única alternativa para a situação na Síria, refere a Lusa.

Apesar dos progressos nas conversações, ainda não se sabe se o Governo sírio e a oposição vão aceitar o cessar-fogo e, mesmo que aceitem, em que condições estão dispostos a fazê-lo. É que tanto de um lado como do outro há exigências que têm de ser cumpridas para que se possa dar início a um processo de paz no país – os grupos da oposição exigem que o Governo sírio, apoiado pela Rússia e Irão, suspenda os ataques contra eles e contra a Frente al Nusra, o ramo sírio da Al-Qaeda, classificada pelos Estados Unidos e Nações Unidos como uma organização terrorista.

Já Bashar al-Assad só assinará qualquer acordo de paz se tiver a certeza que as forças da oposição não vão aproveitar o período de calmaria para ganhar vantagem. Foi precisamente isso que o Presidente sírio fez questão de relembrar numa entrevista ao jornal "El País", publicada este domingo. "O acordo de cessar-fogo tem sobretudo a ver com o fim das hostilidades e das operações, mas tem também a ver com outros factores complementares e mais importantes, como prevenir que os terroristas aproveitem a suspensão das operações para melhorar as suas posições e proibir outros países, especialmente a Turquia, de enviar mais terroristas ou armamento – ou qualquer tipo de apoio logístico - para os terroristas" que combatem na Síria, disse Bashar al-Assad.