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Bashar al-Assad. “Há mais de 80 países que apoiam os terroristas na Síria”

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SANA/REUTERS

O Presidente sírio foi entrevistado pelo jornal espanhol “El País”. Sobre as dezenas de civis que continuam a morrer na Síria todos os dias, Assad disse: "É óbvio que fico muito triste de cada vez que morre um civil, mas a guerra é assim. Todas as guerras são más. Não há guerras boas"

Helena Bento

Jornalista

Em entrevista ao jornal espanhol "El País", o Presidente sírio Bashar al-Assad afirmou que "há mais de 80 países que apoiam com diferentes meios os terroristas na Síria". "Alguns desses países apoiam diretamente com dinheiro, apoio logístico, armamento ou combatentes. Outros oferecem apoio político em diferentes fóruns internacionais", acrescentou.

Assad não referiu nomes nem avançou quaisquer explicações, mas acusou expressamente a Turquia de enviar terroristas para a Síria e a Arábia Saudita de ser o "principal financiador dos terroristas, que são metidos em aviões e enviados para a Turquia e da Turquia para a Síria". Mais tarde, Assad haveria de dizer que se a Turquia e a Arábia Saudita decidirem avançar com uma operação terrestre conjunta na Síria - uma hipótese que foi equacionada recentemente - os militares dos dois países serão tratados como "terroristas". "Defenderemos o nosso país. Ninguém tem o direito de intervir na Síria, política ou militarmente".

Questionado sobre o apoio que tem recebido do Irão e da Rússia, Bashar al-Assad afirmou que, dado o apoio internacional "ilimitado" que tem sido dado aos terroristas, é óbvio que o seu governo necessita do apoio dos dois países. O Irão, como se sabe, é o principal aliado regional de Assad. E a partir de setembro do ano passado, o chefe do Governo sírio passou também a contar com o apoio da Rússia, através de ataques aéreos que, segundo várias ONG's, grupos de monitorização do conflito na Síria e a própria Amnistia Internacional, têm causado a morte a centenas de civis.

Mas Bashar al-Assad tem negado veementemente essas acusações e, nesse aspecto, a entrevista ao jornal espanhol não foi uma exceção. O Presidente sírio afirmou que não há quaisquer indícios de que os ataques russos tenham causado a morte de civis e que, na verdade, foram os norte-americanos os responsáveis por essas baixas no noroeste da Síria.

"Os ataques aéreos russos são muito precisos e têm como alvos posições terroristas. Os russos não atacam em cidades, atacam sobretudo em áreas rurais", afirmou Assad. E em relação à morte de civis, acrescentou o Presidente sírio, "claro que isso é um problema em todas as guerras". "É óbvio que fico muito triste de cada vez que morre um civil, mas a guerra é assim. Todas as guerras são más. Não há guerras boas, porque haverá sempre civis e inocentes a pagar o preço”.

Na entrevista ao "El País", Bashar al-Assad disse que daqui a 10 anos gostava de ser lembrado como o homem que salvou a Síria, embora isso não signifique que nessa altura continue a ser presidente. "Não me interessa estar no poder. Se o povo sírio me quiser no poder, eu lá estarei. Mas se não quiser, não poderei fazer nada em relação a isso. Se não puder ajudar o meu país, então devo ir-me embora".

O chefe do Governo sírio declarou que quer "um Governo de unidade nacional com todos os partidos políticos" e que está disposto a apoiar o cessar-fogo na Síria estabelecido pelos Estados Unidos e Rússia, embora seja necessário fazer algumas ressalvas.

"A questão não depende unicamente de um anúncio, depende do que vai acontecer no terreno. Um acordo de cessar-fogo tem sobretudo a ver com o fim das hostilidades e das operações, mas também tem a ver com outros fatores complementares e mais importantes, como prevenir que os terroristas aproveitem o período de calmaria para melhorar as suas posições no terreno e proibir outros países, especialmente a Turquia, de enviar mais terroristas ou armamento – ou qualquer tipo de apoio logístico - para os combatentes que aqui se encontram", disse Assad, mostrando mais uma vez que não pretende desistir do seu finca-pé com os grupos da oposição.

O Presidente sírio disse ainda que os refugiados que deixaram e continuam a deixar o país fogem dos terroristas e não do Governo, e que têm o direito de regressar ao seu país. "Tenho certeza que a maioria deles querem voltar para a Síria", afirmou.