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Estado Islâmico. Número de “crianças-soldado” dispara a um ritmo alarmante

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RODI SAID / REUTERS

Os números são preocupantes e mostram que o dobro das “crianças-soldado” está a ser lançado pelo Estado Islâmico para os campos de batalha. A maioria vem da Síria mas é no Iraque que as baixas são maiores

Ao volante de camiões armadilhados, com um cinto de bombas ou de arma em punho na frente de combate. Assim morrem as “crianças-soldado” que lutam em nome do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), enviadas para os campos de batalha a um ritmo sem precedentes, de acordo com uma investigação do Centro de Combate ao Terrorismo americano, onde os números ditam uma realidade difícil de confrontar.

Segundo o estudo, foram 89 as crianças entre os oito e os 18 anos que morreram nas fileiras do Daesh durante este ano, um número que quase duplicou em relação ao que era previsto. Os resultados, apresentados com base na análise de propaganda jiadista, revelam também que houve três vezes mais crianças envolvidas em operações da organização terrorista que durante o ano de 2014. E estes são apenas os números que é possível conhecer.

As “crias do califado”, como o autoproclamado Estado Islâmico lhes chama, provêm na sua maioria da Síria mas acabam por morrer mais em solo iraquiano: 60% dos jovens terá entre 12 a 16 anos, enquanto apenas 6% estão entre os oito e os 12 anos.

O Centro de Combate ao Terrorismo americano refere ainda que o autproclamado Estado Islâmico não trata os menores de forma diferente que qualquer outro soldado. O uso de crianças começa a ser cada vez mais normal nos planos terroristas da organização, algo que já não é apenas usado para chocar o mundo ocidental em vídeos de execuções.

Estima-se que 39% das crianças que faleceram em nome do Daesh conduziam um veículo armadilhado, enquanto 33% foram mortas como peões no campo de batalha. Os números são ainda mais aterradores quando se descobre que 18% dos rapazes não tinham quaisquer planos de sobreviver, sendo parte de inghimasis, ataques onde os jiadistas mergulham para lá das linhas do inimigo com a intenção de causar o maior número de baixas até serem eles próprios mortos.

As “crianças-soldado” são uma das estratégias dos jiadistas a curto e a longo prazo. Os iminentes confrontos entre estas crianças e as tropas que procuram acabar com o Daesh também não serão fáceis, bem como a reabilitação destes jovens no caso de um eventual fim dos conflitos. A esperança dos líderes do autoproclamado Estado Islâmico é que, mesmo se a organização for derrotada, a “missão” continue através de uma nova geração de jiadistas, onde milhões de crianças já são doutrinadas com os seus ensinamentos.

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