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Donald Trump apela a boicote à Apple

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BRIAN SNYDER / REUTERS

Donald Trump pediu um boicote aos produtos da Apple até que a empresa aceite colaborar com o FBI na investigação a Syed Rizwan Farook, o norte-americano que, juntamente com a sua mulher, matou 14 pessoas no condado de San Bernardino, em dezembro do ano passado

Helena Bento

Jornalista

O candidato republicano Donald Trump apelou a um boicote aos produtos da Apple até que a empresa aceda ao pedido do FBI para desbloquear o iPhone usado por um dos atacantes de San Bernardino. "O que eu acho que vocês devem fazer é boicotar a Apple até que a empresa dê a informação necessária", disse Trump na sexta-feira, num evento na Carolina do Sul (EUA). "Isto agrada-vos? Lembrei-me disto!", acrescentou.

Na passada quarta-feira, o FBI pediu a colaboração da Apple para aceder aos dados do Iphone de Syed Rizwan Farook, o norte-americano que, juntamente com a mulher - Tashfeen Malik, uma paquistanesa que passou a maior parte da vida na Arábia Saudita - matou 14 pessoas no condado de San Bernardino, em dezembro do ano passado.

Mas a Apple tem-se recusado a colaborar. O seu patrão, Tim Cook, já prometeu que vai lutar até ao fim contra o que considera ser uma operação com implicações "arrepiantes".

Num texto publicado no site da empresa, Tim Cook explica porque é que se tem recusado a cooperar com as autoridades. "O governo dos Estados Unidos exige que a Apple dê um passo sem precedentes que ameaça a segurança dos nossos clientes. Opomo-nos a esta ordem, que tem implicações que vão muito além deste processo judicial", escreve Tim Cook.

"O FBI quer que façamos uma nova versão do sistema operativo do iPhone, contornando várias funções de segurança, e que a instalemos num telemóvel encontrado durante a investigação. Nas mãos erradas, este programa - que hoje em dia não existe - teria o potencial para desbloquear qualquer iPhone que estivesse nas mãos de qualquer pessoa", explica o presidente-executivo da Apple, negando, como foi dito pelo governo, que essa ferramenta só poderia vir a ser usada uma vez e num único telemóvel. "Assim que fosse criada, a técnica poderia ser usada uma e outra vez, em qualquer telemóvel", diz.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América acusa a Apple de estar “mais preocupada com o marketing” do que em ajudar as autoridades nas investigações e apresentou na sexta-feira uma moção que pretende obrigar a empresa a colaborar.