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Revista polaca alimenta propaganda anti-refugiados com capa sobre "violação islâmica da Europa"

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Publicação conservadora deita achas na fogueira do crescente sentimento anti-refugiados na Europa, numa alusão às agessões sexuais registadas na passagem de ano na cidade alemã de Colónia, que segundo as autoridades não foram perpetradas por refugiados

A edição desta semana da revista polaca "wSieci" ("a rede") tem como capa a fotografia de uma mulher loira tapada com uma bandeira da União Europeia a ser agredida por três pares de mãos masculinas de pele escura, sob o título "A violação islâmica da Europa".

Numa alusão aos incidentes da passagem de ano em Colónia — e apesar de as autoridades alemãs terem declarado que não foram refugiados os responsáveis pela vaga de ataques sexuais a mulheres na noite de 31 de dezembro para 1 de janeiro — a revista semanal conservadora publica uma série de artigos sobre os "perigos" de se acolher na Europa as centenas de milhares de pessoas que fogem de guerras sangrentas e da fome no Médio Oriente e no continente africano. A imagem de capa é uma de várias que acompanham os artigos anti-refugiados, numa sessão fotográfica explícita em que se vê a mulher que representa a UE a ser agredida e violada pelo que a revista pretende representar como refugiados muçulmanos.

No sumário dos artigos de fundo, a revista diz reportar "o que os media e a elite de Bruxelas estão a esconer dos cidadãos da União Europeia". Num dos artigos, intitulado "Inferno Europa", a jornalista polaca Aleksandra Rybińska discute os alegados problemas relacionados com a imigração em massa para a Europa que alegadamente estão a ser ignorados "por causa da tolerância e do politicamente correto".

Causando a ira de muitos dentro e fora da Polónia, as redes sociais explodiram em comparações desta capa a imagens de propaganda nazi, mostrando o quão fácil é apagar a memória coletiva das atrocidades cometidas no último século na Europa. Durante a II Guerra Mundial, foi comum a utilização de imagens semelhantes, em que mulheres eram vistas a ser agredidas e violadas.

A Polónia é um dos estados-membros da UE onde a xenofobia e a extrema-direita têm estado a ganhar terreno, muito graças a discursos anti-imigração que estão em crescendo na Europa perante a falta de políticas comunitárias para resolver a atual crise humanitária dos refugiados.