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Líder da oposição detido no Uganda

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Polícia de choque transporta simpatizantes da oposição suspeitos de participarem nos protestos em Kampala

JAMES AKENA / REUTERS

Kizza Besigye foi detido esta sexta-feira pela terceira vez esta semana. Enquanto se aguardam para sábado ao início da tarde os resultados definitivos da votação de quinta-feira, o atual chefe de Estado Yoweri Museveni prefere ter a oposição neutralizada enquanto aguarda o anúncio da sua vitória para um quinto mandato

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Vinte e quatro horas depois de encerrarem as urnas, a polícia ugandesa deteve o líder da oposição e contendor de Yoweri Museveni nas três últimas eleições presidenciais. Kizza Besigye foi preso pela terceira vez esta semana depois de os resultados preliminares do escrutínio terem revelado que o Presidente Museveni, no poder desde 1986 e candidato ao quinto mandato presidencial, está a caminho de obter nova vitória. Segundo uma testemunha da agência Reuters, o líder partidário foi atirado para a parte de trás uma carrinha da polícia juntamente com outros simpatizantes do seu partido.

Na segunda-feira, já tinha havido confrontos entre os seus apoiantes e a polícia num bairro da capital, em consequência dos quais um homem morreu e 19 ficaram feridos. Nesta sexta-feira, as forças de segurança voltaram a lançar gás lacrimogéneo aos apoiantes do Fórum para a Mudança Democrática, o partido que lidera.

Apesar de a votação ter decorrido com tranquilidade na maior parte do território, as forças de segurança apressaram-se a abafar a tensão crescente junto à sede do partido da oposição, FDC no acrónimo inglês. As acusações de que as eleições não eram transparentes nem justas foram reiteradas pelas declarações de Besigye frente a um edifício onde alegadamente se estava a proceder ao pré enchimento de urnas com votos favoráveis ao atual chefe de Estado.

Num vídeo exibido pela televisão e internet, via-se Besigye na quinta-feira, dia da votação, a reclamar contra a fraude e contra a conivência da polícia ugandesa afirmando: "Se o Sr. Museveni não quiser fazer eleições, não faça. Mas se resolve fazê-las, tem de deixar as pessoas votarem sem pressões".

Resultados não definitivos do escrutínio, que ainda está a decorrer, mostravam que Yoweri Museveni tinha obtido 62% dos votos quando estavam concluídas as contagens em 37% das assembleias de voto. Besigye obtivera 33,5% dos votos depositados por cerca de 15 milhões de votantes em 28 mil assembleias de voto de todo o território.

Mais de 30 anos no poder

Fora estes confrontos, a votação decorreu de forma geralmente pacífica, tendo-se registado atrasos na abertura de algumas secções de voto, em especial em Kampala. Além disto, o acesso às redes sociais Facebook e Twitter foram bloqueadas ao longo de mais de um dia, frustrando eleitores e provando que parte substancial da campanha da oposição ganhou particular força nestes meios.

Museveni tem sido um aliado ocidental na luta contra o terrorismo na África Oriental, tendo o Uganda sido poupado a ataques terroristas, apesar de fazer parte das missões de capacetes azuis que combatem os islamitas na Somália, a AMISOM. Ainda assim, há seis anos, durante o mundial de futebol de 2010, dois bombistas suicidas mataram 74 pessoas em Kampala que assistiam a um jogo de futebol.

Segundo uma série de reportagens feitas pela Al-Jazeera, as principais questões que os ugandeses gostariam de ver alteradas referem-se à paz, liberdade de imprensa, direitos das mulheres, direitos LGBT, limites aos mandatos constitucionais, o fim do tribalismo, e a criação de emprego para os jovens. A principal queixa dos eleitores mais novos é precisamente a falta de empenho do Governo em criar empregos para jovens. O Uganda é o país mais jovem do mundo já que a sua população de 39 milhões de cidadãos conta 78% de jovens com menos de 30 anos.