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Costa belga é a nova rota dos refugiados e migrantes que tentam chegar ao Reino Unido

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Zeebrugge é o segundo maior porto belga, situado na fronteira com a Holanda e de onde partem ferrys diários com destino a Hull, no norte de Inglaterra

KURT DESPLENTER

Autoridades da Bélgica dizem que passagens pelo porto de Zeebrugge aumentaram 300% no mês passado em comparação com 600 registos de “transmigrantes” há três meses

A Bélgica chama-lhes "transmigrantes", leia-se, as pessoas com ou sem estatuto de refugiado que têm fugido do Médio Oriente e de África em busca de paz e melhores condições de vida na União Europeia. "Chamamos-lhes transmigrantes porque eles não querem estar aqui", explica um agente da polícia belga citado pelo diário "El País" esta sexta-feira.

O termo, aponta o diário espanhol, entrou no vocabulário quotidiano das autoridades belgas perante o aumento impressionante das passagens de refugiados e migrantes pela costa belga na rota que os leva ao Reino Unido. Essa alteração de caminho foi potenciada pela máfia albanesa, que cobra elevados valores à gente desesperada para contornar fronteiras encerradas e a explosiva situação em Calais, levando-os agora pela rota paralela à costa do Mar do Norte para que alcancem território britânico. Se há três meses foram cerca de 600 os migrantes que passaram pelo porto de Zeebrugge, na sua maioria homens com menos de 40 anos, o número aumentou 300% em janeiro, apontam as autoridades portuárias belgas.

Naquele que é o segundo maior porto da Bélgica a seguir a Amberes, situado na fronteira com a Holanda, "cada dia há pessoas novas", explica ao correspondente do "El País" Fernand Maréchal, pároco da área, de 67 anos. "São quase sempre homens com entre 16 e 40 anos" a passar pela zona, adianta. De Zeebrugge, os migrantes tentam apanhar os ferrys que partem em direção a Hull, no norte de Inglaterra. Maréchal é um dos habitantes da região que está a sofrer duras críticas e ameaças da população por contestar o pedido do governador da Flandres ocidental, o democrata-cristão Carl Decaluwé — que há algumas semanas exigiu que os habitantes "não dêem de comer aos migrantes, senão vêm mais" e que, refere o "El País", recusou por várias vezes falar com o jornal.

A criação de uma nova rota para os refugiados e migrantes através da Bélgica surge depois de seis dos 28 estados-membros da UE terem reintroduzido controlos nas suas fronteiras e numa altura em que, contrariamente ao que as autoridades europeias antecipavam, o número de pessoas que buscam refúgio e protecção da UE continua a aumentar.