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Cimeira especial em março entre UE e Turquia para discutir crise dos refugiados

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O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, felicitou Passos Coelho pelos resultados obtidos nas eleições de 4 de outubro

YIANNIS KOURTOGLOU / Reuters

Plano de ação entre os 28 e o aspirante a estado-membro da UE “é a nossa prioridade”, garante o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Turquia mantém fronteira de Kilis fechada para dezenas de milhares de pessoas que fogem dos bombardeamentos em Alepo, na Síria

O presidente do Conselho Europeu anunciou na noite de quinta-feira em Bruxelas que a União Europeia e a Turquia vão levar a cabo uma nova cimeira já no início de março para discutir o plano de ação conjunto criado para dar respostas à crise de refugiados na Europa.

Após quase dez horas de discussões (sobretudo centradas nas exigências de David Cameron para manter o Reino Unido na UE), os chefes de Estado e de Governo da UE, reunidos em Bruxelas, foram unânimes em considerar que "o plano de ação com a Turquia continua a ser uma prioridade" no quadro da resposta europeia à crise de refugiados, e deve ser "feito tudo" para que o mesmo funcione, pelo que foi decidida a realização de uma nova cimeira especial dentro de cerca de duas semanas, indicou Donald Tusk.

O plano de ação em questão foi aprovado em novembro de 2015 e prevê a atribuição de 3 mil milhões de euros à Turquia, o país que mais refugiados sírios já recebeu desde o início da guerra civil em março de 2011, para gerir a situação no terreno — e o seu anúncio aconteceu horas depois de 900 pessoas terem sido resgatadas com vida ao largo da ilha de Lesbos, avançou a Frontex, a agência da UE que patrulha das fronteiras externas.

Numa conferência de imprensa realizada já de madrugada e sem direito a questões - por estarem ainda previstos para a madrugada desta sexta-feira vários encontros bilaterais dos presidentes do Conselho e da Comissão Europeia com líderes europeus no quadro da chamada Brexit -, o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, acrescentou que, "se antes da reunião ainda havia quem tivesse dúvidas sobre a necessidade de cooperar com a Turquia, elas foram dissipadas", tendo havido unanimidade em torno da "abordagem europeia" ao problema.

Dos milhões de sírios que já tiveram de fugir do país por causa da guerra, cerca de 3 milhões refugiaram-se na Turquia — que, este mês, decidiu encerrar uma das principais passagens fronteiriças para estas pessoas, em Kilis, prendendo do lado sírio mais de 45 mil pessoas que fogem dos bombardeamentos em Alepo.

A cimeira especial foi anunciada uma semana depois de o executivo europeu ter alertado para os gastos exorbitantes que implicaria o encerramento do Espaço Schengen para impedir a circulação livre de pessoas e bens, numa altura em que a UE continua a estudar a hipótese de reintroduzir a utilização de passaportes dentro do território.

O Presidente turco, que quer um plano mais abrangente que passe pela reabertura das negociações de entrada da Turquia na UE, continua a ameaçar "inundar" a UE com mais refugiados, depois de em 2015 mais de um milhão de pessoas ter entrado em território comunitário.