Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Turquia diz que responsável pelo atentado de Ancara entrou no país como “refugiado sírio”

  • 333

UMIT BEKTAS/ EPA

Informação foi avançada por dois jornais turcos, um próximo do governo islamita e outro da oposição, citando impressões digitais recolhidas no local do ataque bombista desta quarta-feira na capital turca. Primeiro-ministro Ahmet Davutoglu responsabiliza diretamente os curdos da Síria pelo ataque

A polícia da Turquia diz ter identificado um sírio, apresentado como sendo próximo das milícias curdas e recém-chegado ao país como refugiado, como o autor do atentado bombista que esta quarta-feira provocou 28 mortos e 61 feridos em Ancara, informa esta quinta-feira a imprensa local.

O condutor do veículo carregado de explosivos que tinha como alvo uma série de autocarros militares foi identificado como Salih Necar e morreu na explosão, segundo os jornais "Yeni Safak", próximo do governo islamita do Presidente Recep Tayyip Erdogan, e o "Sözcü", jornal da oposição.

De acordo com os diários, foram recolhidas no local do ataque impressões digitais que correspondem às que os serviços de imigração registaram aquando da entrada do homem no território turco como refugiado.

A Turquia já prometeu vingar-se do ataque na capital, o que levou o Irão a pedir esta quinta-feira uma frente unida global de combate ao terrorismo. Esta manhã, o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu, do partido islamita de Erdogan, apontou o dedo aos curdos da Síria pelo ataque. "Uma ligação direta entre o atentado e as YPG [unidades de proteção do povo] foi estabelecida", garantiu, acrescentando que o ataque só foi possível graças ao apoio logístico de militantes do ilegaliado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) dentro da Turquia.

Há uma semana, a Turquia criticou duramente os Estados Unidos por estarem a apoiar as forças curdas que combatem o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na Síria. As autoridades turcas temem que os recentes avanços no terreno sírio pelas YPG venha ajudar o PKK a declarar a independência do Curdistão turco. Cerca de 14 milhões do total de 76 milhões de habitantes da Turquia são curdos, na sua maioria concentrados no Sul do país, na fronteira com a Síria, onde a Turquia tem levado a cabo bombardeamentos contra bastiões do PKK. À mesma hora, um novo ataque contra as forças militares turcas fez pelo menos cinco mortos esta manhã, no sudeste do país.

Cumprindo as ameaças de retaliação ao atentado desta quarta-feira, as forças turcas atacaram esta manhã bases do partido curdo turco no Iraque. O anúncio foi feito por um comandante da Força Aérea, que disse que os bombardeamentos tiveram como alvo um grupo de entre 60 e 70 combatentes, incluindo oficiais do PKK, na zona de Haftanin, perto da fronteira do Iraque com a Síria — tida como uma das mais importantes bases dos rebeldes curdos nas montanhas do norte iraquiano.