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Papa sugere que uso de contracetivos pode abrandar propagação do zika

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ALESSANDRO Di MEO / Reuters

“Apelo ainda aos médicos para que façam o máximo para encontrar vacinas contra estes mosquitos que transmitem a doença”

O Papa Francisco voltou a surpreender. Desta vez no que toca a um dos temas mais sensíveis da agenda: o uso de contracetivos. Esta quinta-feira, na conferência a bordo do avião oficial à saída do México, o chefe da Igreja Católica sugeriu que o recurso a métodos contracetivos para evitar a gravidez pode ser permitido às mulheres das zonas infetadas com zika.

Questionado sobre se a contraceção poderia ser “o menor de dois males” quando comparado com o aborto, o Papa classificou a interrupção voluntária da gravidez como “maldade absoluta e crime”. “É salvar alguém com o objetivo de salvar outra pessoa. Isto é o que a máfia faz. Por outro lado, evitar a gravidez não é uma absoluta maldade”, disse Francisco aos jornalistas, citado pelo “The New York Times”. “Em certos casos, tal como este [do zika] em particular, isso é claro. Apelo ainda aos médicos para que façam o máximo para encontrar vacinas contra estes mosquitos que transmitem a doença.”.

Além da questão do zika, o Papa lembrou ainda que o uso dos contracetivos também foi permitido “em casos de violação”. Referiu-se especificamente a uma decisão do Papa Paulo VI, em 1960, que visava a urgência da contraceção entre as freiras do Congo Belga, pois estavam em risco de serem violadas.

Há bastante tempo que é conhecida a oposição da Igreja Católica ao uso de contracetivos. Em 1992, por exemplo, durante um périplo por África, o Papa João Paulo II disse que o uso de preservativo não era a solução para a epidemia de sida. Na altura, foram várias as críticas a estas declarações, uma vez que a Organização Mundial de Saúde - bem como outras organizações - se encontravam no terreno a promover ações de sensibilização para o uso de contracetivos como prevenção da transmissão do vírus.

Atualmente, o país mais afetado pelo zika é o Brasil, sendo as grávidas o grupo mais vulnerável, já que se pensa que o vírus possa estar associado ao aumento do número de recém-nascidos com microcefalia que se tem verificado no país.