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Internacional

Nigéria. Famílias rejeitam mulheres raptadas pelo Boko Haram

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RAJESH JANTILAL

Embora os esforços governamentais e humanitários estejam a alcançar resultados, através do resgate de mulheres que tinham sido sequestradas pelo grupo islâmico, a reintegração destas mulheres nos seus núcleos familiar e social é muito difícil. A UNICEF alerta para a necessidade de mais apoio humanitário

Alberto Conceição

Várias mulheres e adolescentes raptadas pelo grupo terrorista Boko Haram estão a ser rejeitadas pela família depois de terem sido resgatadas pela polícia. A conclusão está descrita no relatório publicado na terça-feira pela UNICEF, em conjunto com a International Alert.

Segundo o documento, as famílias têm medo que as mulheres mantidas em cativeiro se tenham tornado apoiantes radicais do grupo extremista. O comportamento dos familiares transforma-se numa perseguição explícita no caso de as mulheres estarem grávidas ou darem à luz após terem sido violadas durante o cativeiro.

Embora os bebés sejam inocentes, são considerados de “mau sangue” por serem filhos de membros do Boko Haram. “Existe a crença de que, como os pais, as crianças vão inevitavelmente fazer o que fazem as hienas e 'comer' cães inocentes à sua volta”, pode ler-se no relatório.

Rejeitadas pelos familiares, muitas mulheres e os seus filhos acabam na miséria. Para evitar a pobreza extrema e para poder alimentar os filhos, estas mulheres veem na prostituição a forma de ganhar dinheiro. Em consequência disso, as próprias crianças correm o risco de “rejeição, abandono, discriminação e violência”.

Desde 2012, cerca de duas mil mulheres e raparigas foram sequestradas pelo Boko Haram, mas o alerta internacional apenas surgiu em abril de 2014, quando o grupo islâmico raptou cerca de 300 raparigas de uma escola na cidade de Chibok, no nordeste da Nigéria. Foi a hashtag #BringBackOurGirls que fez despertar as atenções para o flagelo das mulheres e crianças nigerianas sequestradas pelo Boko Haram.

Os nigerianos partilharam a hashtag nas redes sociais e esta rapidamente se espalhou pelo mundo. A cantora Rihanna, a primeira-dama Michelle Obama e a ativista paquistanesa Malala Yousafzai foram algumas das personalidades internacionais que se envolveram ativamente, passando a mensagem nas redes sociais. Apesar do sucesso do movimento, as estudantes raptadas em Chibok nunca voltaram para casa.

A UNICEF alerta para a necessidade de haver mais apoio humanitário para que não seja criada “uma nova dimensão de um problema que já é complexo no nordeste do Nigéria”.