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“Fumar mata mais pessoas do que Obama, e ele mata muita gente”

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Trata-se de uma campanha publicitária russa que usa uma imagem do presidente dos EUA de cigarro na mão

Ainda nem uma semana passou desde que o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, anunciou que as relações entre o Ocidente e a Rússia "entraram numa nova Guerra Fria" e parece que a profecia já se concretizou, pelo menos a julgar pelo anúncio publicitário que está a pôr as redes sociais em alerta na Rússia, reporta o "El Mundo".

"Fumar mata mais pessoas do que o Obama, e ele mata muita gente" ou "Não fumes, não sejas como o Obama" são as frases que quem passa nas ruas centrais de Moscovo pode ler, uma vez que estão distribuídas pelas paragens de autocarro e fazem parte de uma campanha anti-tabaco protagonizada por... um Barack Obama de cigarro na mão (embora o presidente norte-americano tenha garantido em 2013 que não tocava num cigarro há seis anos por ter "medo" da sua mulher).

As reações intensificaram-se esta terça-feira quando um deputado crítico de Putin, Dmitri Gudkov, publicou a imagem no seu Facebook, com a seguinte legenda: "É repugnante e vergonhoso que isto apareça nas ruas da Rússia". Esta quinta-feira, a publicação já conta com duas mil reações naquela rede social.

Dmitri Gudkov, opositor de Putin descrito pelo "Moscow Times" como o "enfant terrible" da política russa e o "senhor não" do Parlamento, foi em 2012 expulso do partido que representava no Parlamento, depois de tecer críticas acesas ao regime. Atualmente, Gudkov senta-se no Duma (Parlamento russo) como independente.

Mas esta não é a primeira vez que Obama se vê numa situação do género. Em dezembro, o porta-voz da embaixada norte-americana em Moscovo, William Stevens, denunciava no Twitter uma situação de "racismo descarado": o presidente norte-americano estava a ser retratado como um macaco em calendários vendidos na Rússia.

Já na semana passada, dezenas de jovens universitários juntaram-se para gravar um vídeo em que se dirigiam à ONU para reclamar sanções para os Estados Unidos: "Os EUA e o seu presidente são a principal ameaça à nossa civilização", justificavam.

As relações entre os países de Putin e Obama já viram melhores dias. Com as tensões relativas à crise na Ucrânia e as posições opostas na guerra da Síria, o primeiro-ministro russo acabou por anunciar há dias que o Ocidente e a Rússia vivem uma nova "guerra fria".

Com efeito, e apesar de na semana passada os dois países terem acordado um cessar-fogo que permitiria prestar ajuda humanitária em várias cidades sírias cercadas, esta semana as relações voltaram a estremecer com a notícia de que um ataque aéreo afetou pelo menos quatro hospitais e uma escola no norte da Síria - uma ação considerada pela ONU crime de guerra –, matando cerca de 50 pessoas. As responsabilidades continuam por apurar, tendo o porta-voz russo Dmitry Peskov lembrado que "não há como provar" que Moscovo tenha sido responsável pelos ataques.