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Esforço final de Cameron para reformas à UE pode sair furado

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CIMEIRA. Jean Claude-Juncker recebe David Cameron

reuters

Documento secreto sobre acordo alcançado entre o primeiro-ministro britânico e o presidente do Conselho Europeu mostra que Donald Tusk não conseugiu garantir consenso entre os líderes dos 28 Estados-membros. Proposta de reformas exigidas pelo Reino Unido para permanecer no bloco começa esta tarde a ser discutida na cimeira da União Europeia em Bruxelas

Uma fonte oficial do governo britânico de David Cameron diz que a tentativa do primeiro-ministro em convencer os parceiros da União Europeia a apoiarem o seu projeto de reformas ao funcionamento do bloco está num "momento de crise", horas antes de os líderes dos 28 Estados-membros começarem a discutir essa proposta na cimeira decisiva da UE, que começa esta quinta-feira em Bruxelas.

Depois de meses de negociações com o presidente do Conselho Europeu Donald Tusk, e do périplo por 20 países da UE para os convencer a apoiá-lo, Cameron leva esta tarde o acordo de reformas a debate e votação na capital belga, mantendo que a permanência do Reino Unido no clube dos 28 depende da aprovação dessas reformas. Mas de acordo com um documento interno da Comissão Europeia a que o "The Telegraph" teve acesso, Tusk não conseguiu convencer outros líderes europeus a apoiarem a proposta britânica.

Em declarações à BBC, o líder do Conselho Europeu disse esta manhã que os 28 "não têm alternativa" a não ser aprovar um acordo nos dois dias da cimeira. O acordo não satisfaz alguns parceiros, que recusam algumas das reformas propostas, nem vários membros das campanhas pela saída do Reino Unido da UE, que classificam a agenda de Cameron como "pouco abrangente" e "trivial".

Esta quarta-feira, um dia antes do início da cimeira, Cameron mostrou-se confiante de que o Parlamento Europeu vai apoiar a sua proposta de reformas, após ter mantido encontros com o presidente do braço legislativo da UE, Martin Schulz, e com vários eurodeputados das três maiores famílias políticas do parlamento.

Sem um acordo de reformas alcançado no encontro desta semana, o governo britânico irá convocar um referendo à permanência do país na União Europeia, uma consulta que pode acontecer já em junho e que, segundo sondagens recentes, firmará a saída do Reino Unido.

Reformas da União Europeia

Entre as exigências de Cameron para manter o Reino Unido na UE, que o chefe do executivo britânico esteve a negociar com Donald Tusk ao longo de vários meses em antecipação da cimeira de hoje, contam-se:

* A criação de um mecanismo que possibilite aos estados-membros unirem-se para vetarem determinadas decisões da Comissão Europeia

* Restrições na atribuição de benefícios a cidadãos da UE não-britânicos e migrantes

* O reconhecimento explícito de que o euro não é a única divisa usada dentro da UE, dando garantias aos países fora da moeda única para que não fiquem em desvantagem e para que não sejam obrigados a contribuir para os resgates financeiros de Estados-membros

* Reduzir o "peso" burocrático das regulações excessivas e alargar o mercado único comum