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Internacional

Em tempo de crise, a Venezuela aumenta o preço da gasolina... em 6000%

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Mesmo com um aumento de 12 vezes sobre o preço, os venezuelanos continuarão a ter os combustíveis mais baratos do mundo

JORGE SILVA / REUTERS

A braços com uma economia à beira do colapso, o Presidente da Venezuela Nicolás Maduro desvalorizou a moeda e aumentou o preço dos combustíveis pela primeira vez em 20 anos. As medidas obrigam os venezuelanos a refazer as suas já difíceis contas familiares

Na sequência da longa queda nos preços do petróleo, a Venezuela viu-se obrigada a um brutal aumento no custo dos combustíveis. A esta subida junta-se a rápida desvalorização da moeda, ambas englobadas num pacote de medidas anunciado pelo Presidente Nicolás Maduro na passada quarta-feira.

Os preços na bomba vão aumentar perto de 6000%, passando de 0.097 bolívares por litro (o equivalente a um cêntimo) para 6 bolívares (85 cêntimos). Com o Tribunal Supremo venezuelano a entregar todo o poder nas mãos de Maduro - uma situação temporária, alegam -, as taxas de conversão da moeda também foram desvalorizadas, com efeitos diretos na comida e medicamentos.

O Presidente garante que os novos preços, mais caros para quem é pago em bolívares, servirão para construir programas sociais de habitação, saúde e educação.

Maduro justifica as medidas, afirmando que “estas são necessárias para balançar as coisas”. “Assumo a responsabilidade”, disse durante o anúncio público das alterações. “Está na hora de criarmos um sistema que garanta acesso à gasolina a preços justos mas que também garanta retorno do que está a ser investido para a produzir.”

Gasolina barata, população devastada

Apesar do aumento não parecer significativo a nível mundial - numa comparação direta, abastecer em Caracas sai 55 cêntimos por litro mais barato que em Portugal - a brusca subida na (ainda) mais barata gasolina do mundo terá grande influência na vida dos venezuelanos.

Sempre com a sombra de Chávez, o Presidente Maduro está confiante de que as medidas "serão entendidas pelas pessoas nas ruas"

Sempre com a sombra de Chávez, o Presidente Maduro está confiante de que as medidas "serão entendidas pelas pessoas nas ruas"

HANDOUT / REUTERS

A economia da Venezuela encontra-se num é caótica, com uma dívida de onze mil milhões de dólares (9900 milhões de euros) por pagar e a mais alta taxa de inflação no mundo, fixada nos 109%. Em comparação, é um valor 130 vezes maior que o de Portugal.

Por sua vez, os venezuelanos sabem que a vida folgada nas contas da gasolina acabou e as medidas de Maduro obrigam a refazer as já nada fáceis contas familiares. A população enfrenta uma perigosa escassez de alimentos e o mercado negro é alternativa para as compras diárias. Atualmente em Caracas sairia mais barato aos venezuelanos beber gasolina que água potável.

Este é também o país onde o contrabando de gasolina já rende tanto quanto o narcotráfico, algo que representa uma perda de mais de dois mil milhões de dólares (1800 milhões de euros) para a PDVSA, empresa petrolífera controlada pelo Estado. O caso torna-se ainda mais grave tendo em conta que 95% do investimento estrangeiro do país provém da indústria petrolífera, a principal impulsionadora da economia do país.

Os analistas criticam as medidas por estarem demasiado suscetíveis à inflação do país ou por não serem suficientes para a mudança que a Venezuela precisa. Apesar das críticas internas e externas, as medidas vão mesmo entrar em vigor.