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Internacional

ONU “testa” envio de ajuda humanitária a milhares de sírios em cidades sitiadas

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Uma série de camiões a caminho de Madaya carregados com comida, medicamentos e cobertores, a 11 de janeiro

LOUAI BESHARA/Getty Images

Regime de Bashar al-Assad tinha autorizado envio urgente de comida e medicamentos para Madaya, onde organizações no terreno dizem que dezenas de pessoas já morreram de fome. As Nações Unidas garantem que vão ainda enviar comida e medicamentos para outras zonas sitiadas do país, incluindo cidades da província de Idlib onde as forças do regime sírio e a Rússia têm levado a cabo bombardeamentos contra o que consideram ser grupos terroristas

Ajuda humanitária urgente vai começar a ser enviada para áreas cercadas da Síria no que o enviado das Nações Unidas Staffan de Mistura diz ser um "teste" ao compromisso das partes envolvidas na guerra de cinco anos em deixar entrar no país alimentos, medicamentos e materiais cirúrgicos.

Entre as áreas que deverão receber ajuda em breve conta-se a cidade de Madaya, onde dezenas de pessoas estão a morrer à fome. De acordo com a ONU e com os Médicos Sem Fronteiras (MSF), pelo menos 46 habitantes daquela cidade nos arredores de Damasco já morreram à fome desde dezembro, havendo 320 pessoas em estado avançado de subnutrição e 33 a correr perigo de vida por falta de mantimentos.

No início do mês, o regime sírio de Bashar al-Assad tinha-se comprometido em autorizar a entrada de ajuda humanitária em Madaya. Mas esta semana, depois de a Rússia e os Estados Unidos terem alcançado um acordo de cessar-fogo, o contestado Presidente da Síria colocou em dúvida a aplicação dessa trégua no imediato, o que implica também a impossibilidade de fazer chegar ajuda urgente aos que mais precisam.

Entre as áreas que deverão receber ajuda humanitária nos próximos dias, segundo Mistura, contam-se ainda Deir el-Zour, uma cidade do Leste que está há vários meses cercada por militantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), Foah e Kefraya — ambas na província de Idlib que estão sitiadas por grupos rebeldes e sob contínuos bombardeamentos dos vários atores internacionais envolvidos no conflito — e Muadhamiya, Kafr Batna e Zabadani, três cidades vizinhas de Madaya, situadas nos arredores de Damasco e que estão cercadas pelas forças do regime de Assad.

"É o dever do governo da Síria querer chegar a cada pessoa independentemente de onde elas estão e permitir que a ONU traga ajuda humanitária", declarou Mistura após conversações com as autoridades sírias em Damasco. "Amanhã [esta quarta-feira] testamos essa vontade."