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Mulheres indígenas desaparecidas e assassinadas no Canadá poderão rondar 4 mil

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A abertura de um inquérito ao caso das mulheres indígenas desaparecidas e mortas no Canadá foi uma das promessas eleitorais de Justin Trudeau

NICHOLAS KAMM/AFP/GETTY

Nas últimas três decadas, o número de mulheres indígenas que desapareceram e foram assassinadas no Canadá será mais de três vezes superior ao que as autoridades admitiam. Em breve será aberto um inquérito público, garantiu Justin Trudeau

Durante a campanha eleitoral, Justin Trudeau prometeu que o caso das mulheres indígenas que desapareceram e foram assassinadas entre 1980 e 2012 seria uma das prioridades da sua governação. Em dezembro, o primeiro-ministro canadiano reafirmou essa promessa, garantindo que seria aberto em breve um inquérito público.

Entretanto, já decorrem as conversações com membros das comunidades indígenas, que servirão de base à investigação. E as conclusões não são animadoras. Afinal, o número de vítimas será mais de três vezes superior ao que as autoridades acreditavam.

A ministra canadiana da Condição da Mulher, Patricia Hajdu, afirmou que a Associação de Mulheres Indígenas do Canadá aponta para quatro mil mulheres desaparecidas e mortas nas últimas três décadas no país. O número contrasta com os dados da polícia canadiana, que em 2015 referiam num relatório 1200 vítimas.

Por sua vez, a ministra dos Assuntos Indígenas e do Norte, Carolyn Bennett, sublinhou que ativistas, familiares e líderes de comunidades indígenas já tinham alertado que o número avançado pelas autoridades não correspondia à realidade.

“Não tenho os dados, mas sei que o problema não diz respeito aos números. O que é fundamental é ter a certeza de que as histórias daquelas famílias que perderam os entes queridos e as sobreviventes nos levaram a tomar ações concretas que de facto coloquem fim à sua vulnerabilidade”, declarou Carolyn Bennett, citada pelo “Guardian”.

Dois meses para ouvir vítimas e familiares

As governantes garantiram que a investigação irá confirmar o número de vítimas - que “será claramente superior” a 1200 - e conduzir à tomada de medidas, de forma a restaurar a confiança das comunidades indígenas no Executivo. Durante dois meses, serão ouvidos os testemunhos de vítimas e familiares.

No final do ano, o primeiro-ministro canadiano reiterou que iria solicitar a abertura de um inquérito ao caso do desaparecimento e assassínio de mulheres indígenas no país, depois de o seu antecessor Stephen Harper não ter cedido às pressões de ativistas e familiares.

“As vítimas merecem Justiça e as suas famílias uma oportunidade para serem ouvidas. Temos que colocar um ponto final nesta tragédia contínua”, afirmou Justin Trudeau.