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Explosão ouvida a 3 kms de distância faz 28 mortos junto ao parlamento turco

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STRINGER/ Reuters

Uma potente bomba – um carro armadilhado, segundo o governador de Ancara, Mehmet Kiliçdar - explodiu à passagem de vários autocarros que transportavam pessoal militar no coração da capital turca, a cerca de 300 metros do parlamento. “É o resultado das aventuras loucas em que o Governo nos mete”

O primeiro balanço apontava para pelo menos 10 mortos e dezenas de feridos, mas subiu entretanto para 28 mortos e 61 feridos. Dezenas de ambulâncias foram deslocadas para o local, pelo menos três veículos incendiaram-se e imagens da TV turca deram conta de um ambiente apocalíptico. Ainda não se sabe de quem é a responsabilidade do ataque.

A explosão – fortíssima - foi ouvida em vários locais da capital – inclusive da minha habitação, a cerca de três quilómetros do local. Pouco depois era possível testemunhar dos pontos mais altos da cidade uma coluna de fumo a erguer-se da avenida Inonu, uma das principais artérias da cidade, que estaria apinhada durante a hora de ponta.

Preocupação e ansiedade estavam estampados nos rostos de todos logo a seguir ao rebentamento. Sem saberem onde tinha sido a explosão que ouviram, as pessoas agarravam-se aos seus telefones, a tentar obter desesperadamente informação. “Onde foi?”, ouvia-se perguntar amiúde em Tunali, uma rua comercial a cerca de 2 quilómetros do local da explosão.

EPA

“Houve Reyhanli, depois Suruç, uma bomba em Ancara e agora outra vez Ancara. De bomba em bomba, vivemos um pesadelo”, desabafou ao Expresso um transeunte, referindo os violentos atentados terroristas que mataram centenas de pessoas no ano passado, todos relacionados com a guerra na Síria. “É o resultado das aventuras loucas em que o Governo nos mete”, dizia outro.

A Turquia vive dias tensos, muito devido ao conflito no país vizinho. Há cinco dias que as forças armadas turcas bombardeiam, desde o território turco, com artilharia pesada, as milícias curdas no interior da Síria, depois de o teatro de guerra ter sofrido uma reviravolta, com as forças de al-Assad, e também os curdos sírios, a conquistar terreno a norte de Alepo, a maior cidade da Síria. Enquanto os soldados do regime estão agora a poucos quilómetros da fronteira turca, os curdos sírios tem aproveitado a confusão causada pela ofensiva governamental, apoiada por jatos russos, para consolidar ganhos territoriais e expandir o quase-Estado que têm construído no norte da Síria.

UMIT BEKTAS/ EPA

Ao mesmo tempo, as forças armadas de Ancara combatem contra os separatistas curdos do PKK em várias cidades do leste da Turquia, uma quase guerra civil que já provocou centenas de mortos.

As suspeitas para mais este violento atentado recairão sobre os separatistas curdos ou sobre os jiadistas do Daesh – por agora, todos procuram mais informação. A polícia selou a área mas também os cidadãos, que continuam a telefonar aos seus próximos para confirmar que estão bem.